Comitê ajudou a quebrar resistência ao ensino remoto na FEA

Há cerca de um ano, ninguém imaginava que uma pandemia estaria prestes a eclodir e, como resultado, mudaria o comportamento e a dinâmica de toda uma sociedade. Foi tudo muito rápido. O ano letivo de 2020 mal começara, e alunos e professores tiveram de ser afastados das salas de aula. No dia 16 de março, uma semana antes de a quarentena ser decretada no Estado, a Universidade  decidiu suspender as aulas presenciais para proteger a saúde da comunidade. 

Corredores e salas vazios; incertezas quanto ao futuro da pandemia. Era hora de pensar uma nova maneira de prosseguir com o ensino, diminuindo o prejuízo que a crise trouxera para o aprendizado dos estudantes. E a opção que se apresentava com maior potencial de impacto e resultados era o ensino remoto. Durante 15 dias, a FEA discutiu as diretrizes mínimas, padronizou as ferramentas e deu início ao treinamento dos professores. 

A transição, no entanto, não foi fácil. Além da falta de habilidade de alguns professores em lidar com as tecnologias digitais, também houve resistência. O ensino presencial estava enraizado na cultura dos docentes da USP. Foi preciso buscar soluções rápidas e contar com o engajamento dos docentes para adotar uma forma diferenciada de educação, que pudesse responder às necessidades daquele momento.  E o papel do Comitê de Inovação Pedagógica da FEA foi fundamental  nesse trabalho. 

 

Criação do Comitê

O Comitê de Inovação Pedagógica foi formado tão logo a direção da Faculdade decidiu que cumpriria o cronograma previsto para o primeiro semestre. Ao todo, havia 200 disciplinas a serem ministradas. O diretor Fábio Frezatti lembra que a FEA aproveitou a experiência da Comissão de Inovação Pedagógica, que existia desde 2018 no departamento de Administração. Naquele Departamento, sob a coordenação da professora Adriana Backx Noronha Viana, a comissão já havia realizado workshops com professores do departamento, ocasião em que eles passaram a ter contato com as tecnologias educacionais e o ambiente virtual de aprendizagem. 

Cinco pessoas foram convidadas a integrar o Comitê de Inovação Pedagógica da FEA, entre elas 3 docentes: a professora Adriana Backx (Administração), o professor Edgard Cornacchione (Contabilidade e Atuária) e o professor Pedro Henrique Thibes Forquesato (Economia), além de Andrea Ximenes (LAE – Laboratório de Aprendizagem e Ensino), e Luiz Eduardo Iadocicco (STI - Seção Técnica de Informática). É um trabalho de parceria, segundo Adriana Backx: “A gente vai vendo as questões, vai propondo ideias e resolvendo. Não existe um chefe, um coordenador permanente”. 

Adriana Backx trabalha com educação a distância desde 2003, quando ajudou a criar um núcleo de desenvolvimento de tecnologias e ambientes educacionais na USP de Ribeirão Preto. Já na FEA, em São Paulo, participou do planejamento e montagem do curso Cultura Digital, lançado em novembro de 2019 pela Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP. O curso seria ministrado de março a junho de 2020, mas a pandemia chegou e a USP teve de fechar suas instalações. As unidades se viram obrigadas, então, a implantar ferramentas de ensino virtual de forma ágil. 

 

Zoom: plataforma escolhida pela FEA

   Prof. Edgard Cornacchione
 

A orientação inicial para os docentes foi a de realizar não o ensino a distância (EaD), mas aulas síncronas, aquelas realizadas remotamente em tempo real, já que existe uma diferença entre os dois modelos. A FEA deu preferência pela plataforma Zoom, em vez do Google Meeting. A decisão que culminou com o uso da plataforma Zoom coube ao professor Edgard Cornacchione, que a pedido do diretor Fábio Frezatti investigou profundamente as principais soluções tecnológicas viáveis.  

Cornacchione, que coordena o Núcleo Technology & Business EDGE, contou como foi esse processo de escolha da plataforma: “Defendemos o Zoom, entre outros motivos, por ser uma ferramenta que tem um custo de operação direto. Seria natural ter usado o Google Meeting, porque a USP tem um convênio com o Google Education, mas ele tem custos de operação indiretos. Também ponderamos questões de performance. O Zoom tem um melhor protocolo de compactação de áudio e vídeo disponível no mercado. Então, você consegue com pouca banda fazer áudio e vídeo fluir entre os terminais que estão conectados numa sala. Você não vê o  Zoom sair do ar. O Google também faz isso, tem uma ótima solução tecnológica, mas não oferece todos os recursos que nós pontuamos individualmente”.  

O Comitê sugeriu que o Zoom fosse adotado de forma coletiva pelos professores da FEA, mas quem tivesse interesse em usar outras soluções seria respeitado. “É comum a gente ter preferência por software, mas no geral ao conversar com as pessoas, ao compartilhar, elas foram tomando gosto, aprendendo as funcionalidades do Zoom, identificando vantagens e, no final, eu entendo que a decisão foi importante. Não temos relatos de problemas de performance, o que poderia ter acontecido com outras plataformas”, esclareceu Edgard.

Após o plano ter sido colocado em ação, Cornacchione disse que a adaptação dos professores foi rápida. O que chamou a atenção dele foi a diversidade do público que tem familiaridade com os recursos tecnológicos. Não dá para padronizar. Não é porque pertence a uma geração mais antiga que tem menos conhecimento e habilidade digital. Por outro lado, Cornacchione admite que houve um processo de resistência, mesmo que velado. “Isso é uma coisa natural de qualquer mudança. O que eu entendo é que a estratégia que a FEA adotou, de aulas remotas, essa estratégia ajudou a quebrar essa resistência”.  

Os professores também receberam o material desenvolvido para o curso Cultura Digital, da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP, segundo a professora Adriana Backx: “Passamos o material para nossos docentes, que continha informações de como eu faço para migrar para o ensino remoto, como utilizar o sistema Moodle-USP (ambiente virtual de aprendizado), como gravar vídeos e como fazer a avaliação do aluno no modo online”. No início de junho, o Laboratório de Aprendizagem e Ensino (LAE)  ofereceu oficinas sobre o ambiente Moodle para os docentes da FEA, focadas no processo de avaliação.    

 

Curso de Atualização Docente

No mês de julho, a FEA deu início a um curso voltado exclusivamente para seus docentes, com a participação de 71 pessoas. O curso foi oferecido pelo Núcleo EDGE. Realizado no período de 17 de julho a 21 de agosto, o Curso de Atualização Docente em Ensino-Aprendizagem Online teve 30 horas de duração e foi dividido em três dimensões: planejamento e desafios; recursos institucionais na modalidade online (Zoom, Moodle); e proposição de um plano para a disciplina online.

O curso ajudou os professores da FEA a pensarem em como organizar o planejamento das aulas para o 2º semestre. Adriana Backx disse que o foco foi centrado nos “objetivos de aprendizagem” e que esses objetivos seguem um contexto denominado Taxonomia de Bloom. A taxonomia prevê seis níveis: entender, compreender, aplicar, analisar, avaliar e criar. A metodologia tem o sentido de deixar mais claro para os estudantes “o que eles estão aprendendo e como eles serão avaliados”. 

Segundo o professor Edgard Cornacchione, houve uma participação ativa dos docentes, que ao final receberam a certificação da USP. “Fiquei muito feliz com o nível de engajamento dos professores da FEA. Foi o que me surpreendeu positivamente. A gente viu as pessoas se ajudando mutuamente, discutindo temas relevantes, como por exemplo o de avaliação”. Para Cornacchione a avaliação em ambiente digital é um tema muito complexo, que acabou gerando discussões profundas durante o curso. 

Para esse final de ano, o Comitê de Inovação Pedagógica está programando o lançamento de um E-Book: “Perspectivas e Experiências Docentes na FEA”. O livro trará a experiência dos professores com o ensino remoto. Desde setembro, vêm sendo realizados encontros, duas vezes ao mês, nos quais os professores apresentam os relatos sobre suas experiências, baseadas no Programa de Ensino-Aprendizagem (PEA). No PEA, estão explicitados qual o propósito da disciplina/curso e o que se espera que o estudante tenha aprendido ao final deles. 

 

Quebra de paradigma

   Profa. Adriana Backx
 

A transição para o ensino remoto na FEA contribuiu para a quebra de um paradigma, na opinião da professora Adriana Backx. “A pandemia pode ser sido terrível para várias coisas, mas foi fantástica para essa quebra de paradigma, porque as pessoas tinham uma resistência muito grande ao ensino remoto”. Segundo ela, os professores estavam acostumados com aulas expositivas e muitos desconheciam ambientes virtuais de aprendizagem. Essa cultura do ensino presencial dificultou o processo no início dos treinamentos. 

Hoje, as coisas estão diferentes. Backx disse que, com o passar do tempo, os professores começaram a ficar empolgados com as novas ferramentas e suas possibilidades de uso. “O que existe hoje de ferramentas possíveis para dinamizar as aulas, você nem imagina. Temos disponíveis uma lista de mais de 40 ferramentas (detalhes no box)”. 

Sobre o futuro do ensino, se será remoto ou presencial, Adriana Backx refletiu: “O que vai ficar após a pandemia é o uso das tecnologias educacionais digitais. Espero que caminhemos para o ensino híbrido — o Blended Learning, e que a gente use essas tecnologias com sabedoria. Isso representaria um 'salto' no ensino, pois traríamos tanto as coisas boas do virtual, quanto as vantagens do presencial, sempre pensando em fazer um ensino melhor”.  Ao mencionar a palavra "salto", Backx fez uma analogia a uma expressão muito utilizada pelo diretor da FEA Fábio Frezatti: "os saltos do canguru". O canguru é o símbolo da Atlética. E ele não consegue dar saltos para trás.

Na opinião do professor Edgard Cornaccione, quando as escolas retornarem ao ensino presencial, elas deverão deixar “janelas abertas” para o modelo digital. “Acredito que é mais eficaz pensar em formas combinadas, em dar opção para as pessoas, para as famílias, em função das realidades que elas têm. A coletividade do espaço familiar, da residência, pode levar a uma situação diferente, por isso que considero que as escolas deveriam ter opções de modalidades para acolher realidades distintas”. 


 

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O mundo da tecnologia educacional

Dicas de ferramentas para os professores da FEA

Kahoot! – é uma plataforma online de aprendizado baseada em jogos. Usada desde a educação básica até a pós-graduação, oferece recursos de interatividade e aumento do engajamento da turma. Seus jogos são testes de múltipla escolha que permitem a geração de usuários, com ranqueamento de quem respondeu mais respostas corretas e de forma mais rápida.
 

Quizz – semelhante ao Kahoot! é uma plataforma criativa que pode ser usada em sala de aula, trabalhos em grupo, revisão de pré-teste, provas e o que a imaginação permitir. É necessário que os(as) jogadores(as) estejam online, mas diferente do Kahoot! Você joga apenas com a sua tela.
 

Mentimenter – é um usado para criar apresentações com interações e feedback em tempo real, como enquetes, nuvem de palavras ou coleta de perguntas. Pode ser acessado através de computador ou smartphone, também é necessário estar online. É bastante utilizado em momentos introdutórios a fim de se conhecer o que o público (uma turma, por exemplo) sabe sobre um assunto ou conteúdo.
 

Padlet – é uma ferramenta online que permite a criação de um mural ou quadro virtual dinâmico e interativo para registrar, guardar e partilhar conteúdos multimídia. Funciona como uma folha de papel, onde se pode inserir qualquer tipo de conteúdo (texto, imagens, vídeo, hiperlinks) juntamente com outras pessoas. É possível criar vários murais e ótimo para divisão de trabalhos em grupos, por exemplo.

 

 

 

 

 

 

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Gente da FEA - dezembro de 2020
Autora: Cacilda Luna

Data do Conteúdo: 
quinta-feira, 3 Dezembro, 2020

Departamento:

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