CEO da Latam fala da competitividade do setor aéreo

Breno Queiroz

 

O ramo da aviação comercial não tem nenhum glamour. Custos operacionais altos, grande volatilidade dos preços e alta competitividade praticamente tornam o setor um jogo de apostas. Essas foram algumas das observações feitas pelo CEO da Latam no Brasil, Jerome Cadier, durante palestra sobre “Os desafios de manter a competitividade dos negócios no contexto global”. Realizado no último dia 8 de maio, o evento teve a realização do Programa de Comércio Exterior Brasileiro da FIA em parceria com a FEAUSP.  

 

O executivo negou que a cobrança de bagagens pelas companhias aéreas brasileiras em algum momento esteve condicionada à redução do preço das passagens. De acordo com ele, em algum ponto os argumentos foram confundidos e chegaram à essa conclusão de que haveria essa redução. “Mas nunca houve a intenção de reduzir o preço médio das passagens”, afirmou Cadier. Ele explicou que o objetivo era incentivar os passageiros a levarem menos bagagem. Em consequência, diminuindo o peso do avião, o custo com o combustível cairia e, a longo prazo, haveria economia para a empresa.  

 

Sobre a demanda no setor aéreo, Cadier confirmou que o período mais produtivo é durante as férias e feriados. A demanda volátil, segundo ele, é fundamental para a sobrevivência das empresas, pois momentos com excesso de oferta compensariam os períodos de baixa procura. Usando como exemplo dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), o presidente da Latam no Brasil disse que, no mês de janeiro deste ano, as aéreas transportaram 8,9 milhões de passageiros em voos domésticos, enquanto que, em agosto de 2018, mês sem nenhum feriado, a demanda foi de 7,9 milhões.

 

Jerome Cadier citou outros fatores que influenciam no desempenho do setor aéreo.  Um deles é a performance macroeconômica do país. Em tempos de crise, a quantidade de pessoas pensando em viajar diminui. Dados da Anac indicam que o volume de passageiros atendidos pela aviação comercial desabou desde 2014.

 

Outro fator de destaque, de acordo com o executivo, é a influência do câmbio e do petróleo na precificação. Cadier afirmou que 60% dos custos de uma empresa aérea estão vinculados ao dólar, o que explicaria o fato de as passagens acompanharem a variação da moeda americana. Já um terço dos custos de operação está comprometido com o combustível.

 

 

Data do Conteúdo: 
Quarta-feira, 22 Maio, 2019

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