CAVC promove mais uma edição da Semana da Diversidade

Por Breno Queiroz

 

O perfil dos alunos de graduação da FEA vem se diversificando ao longo desses dois anos de reserva de vagas no SiSU (Sistema de Seleção Unificada) para alunos de escolas públicas. A chegada desses alunos foi acompanhada pelo aumento de iniciativas estudantis e coletivos voltados para promoção e discussão de tópicos relacionados à diversidade. O CAVC (Centro Acadêmico Visconde de Cairu) vê com bons olhos as mudanças e segue a tendência, promovendo sua VI Semana da Diversidade.

 

O primeiro encontro, na terça-feira (29/10), foi justamente para tocar no tema vestibular. “Diversidade no Vestibular: discussão sobre políticas afirmativas ainda não adotadas na USP” contou com a presença da doutora e professora da UFABC, Kate Kumada, atuante em diversos grupos de pesquisa para pensar educação e diversidade, e do militante trans do coletivo de mulheres Olga Benário, Agni Dimitri.

 

Kate contou os desafios recentes das federais para incorporar alunos com deficiência, desde pessoas se passando por alguém com deficiência até alunos que precisaram acionar a justiça para garantir seu direito à acessibilidade. “Na USP, do tamanho que ela é, não tem um intérprete de libras contratado”, denunciou ela. 

 

Agni não fala como os pesquisadores. Ele se diz já muito excepcional de ter conseguido completar o ensino médio, dada a realidade da população trans no Brasil. O academicismo e a faculdade “não são para mim”, dizia ele enquanto justificava porque sua fala não seria acompanhada de slides. Fez a conversa com caderninho aberto, olhando no olho, como está acostumada em suas formações políticas. 

 

“O Brasil é o país número um em assassinato de pessoas trans no mundo”, foi uma das primeiras de suas frases, e completou com uma contradição (ou então um sintoma): também é o país em que mais se consome pornografia com transexuais. A evasão escolar dos dissidentes de gênero é alta. Com os problemas na família, são poucos que completam o ensino médio para ingressar na faculdade, mesmo que haja um decreto que garante cota para transexuais nas federais. Esse decreto não foi votado e sua força como legislação é difusa, ao ponto que menos de 10 federais fazem a reserva de vagas no seu vestibular.

 

Fora isso, Agni contou dos problemas que passou para trocar seu nome, mesmo com o entendimento do STF que autoriza a troca em cartório. E como a troca o fez perder um dia de prova no ENEM, barrado nos portões. Ele não sabia que podia chamar a polícia nessa situação. Diversos entraves burocráticos surgem a partir da troca de nome: se no ato da inscrição no vestibular constar o nome antigo, a burocracia da faculdade impede que ele seja trocado, permanecendo até o final da graduação. 

 

Na quarta (30/10), quem veio para uma roda de conversa foi o Grupo de trabalho Bi/Pan/Poli+. Eles incorporam a organização da Parada LGBTI de São Paulo e são grandes articuladores de projetos de resistência e acolhimento para LGBT’s em situação de vulnerabilidade. O grande exemplo é a Casa 1 na Bela Vista, que além de república, funciona como centro cultural e clínica social.

 

Na quinta (31/10), as coisas aconteceram na vivência da FEA. Uma feira de comida nordestina, com direito a forró do coletivo Forró das Minas, começou por lá, e terminou na meia lua com uma roda de capoeira do contramestre Vinicius Heine e o grupo de capoeiristas do CEPEUSP.

 

Data do Conteúdo: 
terça-feira, 5 Novembro, 2019

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