CAVC faz homenagem ao professor Paul Singer

Breno Queiroz

 

“Essas experiências não foram criadas por intelectuais na universidade; foram sim criadas por trabalhadores enfrentando a pobreza, o desemprego e a exploração do trabalho”. Essa é a fala da doutora em sociologia Vanessa Sígolo, do Grupo de Pesquisa em Empresas Recuperadas por Trabalhadores (Gepert). Ela esteve presente ao debate realizado durante a 1ª Feira de Economia Solidária, no dia 28/05, organizada pelo CAVC (Centro Acadêmico Visconde de Cairu) em homenagem ao professor Paul Singer, falecido em abril do ano passado.

 

Paul Singer foi um estudioso e pioneiro no Brasil com o desenvolvimento de projetos nas bases da economia solidária: propriedade coletiva dos meios de produção, associação livre e voluntária e autogestão. Por meio da articulação do grupo de estudos do professor com a Universidade foi fundado, em 1998, o projeto de extensão ITCP-USP (Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares). Alguns dos expositores são desse projeto e, colocaram à venda, no dia, desde livros sobre economia solidária até cervejas produzidas artesanalmente.

 

Juntamente com Vanessa, no debate sobre economia solidária esteve Reinaldo Pacheco, professor da Poli e Coordenador do ITCP-USP, e dois trabalhadores de cooperativas, Arildo Mota Lopes da UNIFORJA - Cooperativa Central de Produção Industrial de Trabalhadores em Metalurgia e Edna Souza Machado Simão , da Amesol (Associação de Mulheres da Economia Solidária e Feminista).

 

“Hoje nós vivemos uma crise de identidade, de princípios, uma crise ética e uma crise de valor. De valorizar os próprios seres humanos”, ressaltou Arildo, enquanto apontava para a economia solidária como uma economia mais humana. A empresa em que ele trabalha em 2008, mesmo durante a crise mundial, faturava R$258 milhões ao ano.

 

Muitos economistas reconhecem a resiliência das cooperativas durante os tempos de crise. “O máximo que pode acontecer é uma mudança de escala, porque eu não posso ser mandado embora”, completou Arildo. O motivo para se diminuir o trabalho em períodos de crise é reconhecido pelos trabalhadores como um contra-peso da divisão igualitária do trabalho. Edna ressalta isso em sua fala: “No mundo capitalista isso não funciona. Você é pago para produzir 200 peças por dia. Se você não pode, sinto muito. Vou procurar quem possa. Aí, quando pensamos essa questão da mais-valia, se com 20 peças eu pago meu salário do mês, por que tenho que fazer 200 todo dia”?  Ela trabalha com o que chama de economia feminista, na qual dá outro valor “ao trabalho da mulher em casa que sustenta o trabalhador para a economia capitalista”.

 

Durante o evento, uma parede da vivência da FEA foi grafitada pelo artista Todyone, que registrou a imagem do professor Paul Singer, como memória do seu legado para a FEA.

 

 

Data do Conteúdo: 
sexta-feira, 7 Junho, 2019

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