Caixa e USP tornam-se parceiros tecnológicos

Arte sobre fotografia de Marcos Santos/USP Imagens

Uma parceria entre a Caixa Econômica Federal e a USP vai aproximar cada vez mais a academia do mercado. Desta vez o foco é a inovação. O banco investirá R$ 1 milhão em projetos de interesse da instituição com o apoio da Agência USP de Inovação (AUSPIN), cujo papel será identificar os pesquisadores mais aptos a desenvolverem as soluções para as demandas priorizadas. São 37 projetos selecionados pela Caixa, entre eles um projeto de desenvolvimento de novas tecnologias de construção civil, outro que identifique alternativas de moradia social, um projeto de educação financeira e um projeto de modelo de inclusão sócio produtiva. O convênio tem prazo de 5 anos, mas pode ser renovável.

Recém-assinado, o convênio faz parte do programa Parceiros Tecnológicos da AUSPIN, que foi desenvolvido este ano. A Caixa, portanto, é um parceiro pioneiro. A instituição financeira se aproxima da Universidade visando sanar suas demandas de inovação. Por outro lado, a USP tem a oportunidade de se aproximar das demandas do mercado, analisando suas necessidades e indicando pesquisadores capazes de encontrar as soluções inovadoras. “É uma forma de a USP se aproximar da sociedade. E, com isso, acaba desenvolvendo produções científicas e soluções que atenderão diretamente as necessidades do mercado”, disse a assessora da coordenação da AUSPIN, Liliam Sanchez Carrete, professora do departamento de Administração da FEAUSP. 

Desde que foi dado o pontapé inicial para a parceria, a FEAUSP disponibilizou para a Caixa uma sala no prédio FEA-5. Além de financiar projetos de pesquisa e testes de soluções para seus desafios, a instituição financeira poderá estruturar programas educacionais sob medida, realizar chamadas de incubação e aceleração de startups, ter prioridade nas rodadas de investimento, ter acesso às bases de dados de pesquisas e tecnologia desenvolvidas na USP. Também contará com a consultoria da AUSPIN em todas as unidades da USP e grupos de pesquisa. 

A consultora de inovação da Caixa, Tatiana Lacerda Ferraz, afirmou que o principal objetivo da instituição com essa parceria é justamente criar uma ponte entre a academia e o setor produtivo, além de se inserir no ecossistema de inovação da USP. “A gente acredita que a inovação é necessária para colocar a Caixa em outro patamar. Está no nosso DNA, desde sua fundação em 1861, transformar as realidades e mudar a vida das pessoas. A Caixa foi criada com o objetivo de ser um local onde os escravos pudessem poupar dinheiro para comprar sua carta de alforria. A ideia é que a gente consiga manter esse papel, só que hoje em outro contexto”.

Mas para que haja uma perfeita sintonia entre os dois lados, existe pelo menos um desafio a ser superado: os diferentes tempos da universidade e do mercado. “O mercado tem necessidades urgentes e imediatas, mas o pesquisador tem o seu tempo de desenvolvimento da pesquisa. A inovação toma tempo, envolve risco e, muitas vezes, o mercado não consegue lidar com isso. Esse gap de timing é a maior dificuldade que vejo no dia a dia do trabalho”, analisa Liliam Carrete. A consultora da Caixa, Tatiana Ferraz, também concorda: “De fato, um dos desafios que a gente enxerga é equilibrar esses tempos e movimentos entre o setor produtivo e a academia”. De qualquer forma, ambas visualizam um relacionamento de longo prazo dentro do programa Parceiros Tecnológicos.

 

Gente da FEA - novembro de 2018
Autora: Cacilda Luna

 

Data do Conteúdo: 
terça-feira, 6 Novembro, 2018

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