ANFEA comemora sucesso da primeira edição do PAAC

Por Cacilda Luna

 

A Associação de Negros Feanos (ANFEA) está celebrando o sucesso da primeira edição do PAAC – Programa Anfea de Aceleração de Carreiras, encerrado em novembro, que beneficiou 25 alunos e ex-alunos da FEAUSP, todos afrodescendentes. Foram oito meses de atividades online, divididas entre mentoria personalizada, workshops e encontros, e aulas de inglês. O programa tem como principais metas e valores o desenvolvimento de carreira de futuras lideranças negras, a promoção de equidade no mercado de trabalho, além de responsabilidade e integridade.

 

“Enfrentamos muitos desafios, mas o programa já é um grande sucesso, que certamente irá continuar e crescer em 2022. Pretendemos melhorá-lo e atingir mais pessoas”, disse o presidente da ANFEA, Renan Santos da Silva (foto), 29 anos, lembrando que os negros e pardos já representam 23% dos estudantes da FEAUSP, segundo dados do último DataFEA.

 

Formado em Administração em 2020, Renan foi um dos “acelerados” dessa primeira edição do PAAC. Ele admitiu que a mentoria personalizada foi um “grande diferencial” do programa. “O score dela é altíssimo e isso mostra o quão transformador está sendo. Muitas pessoas chegam agradecendo porque conseguiram vagas de estágio, conseguiram superar questões que eram problemas na vida delas, vieses, e agora se sentem mais acolhidas”. O PAAC teve um patrocínio de R$ 43 mil reais. Além dos 25 mentores, o programa é formado por uma equipe de 15 pessoas.

 

Uma questão importante que surgiu nessa primeira edição e que se tornará mais um pilar agora em 2022 é o atendimento psicológico. O presidente da ANFEA disse que, durante a realização do programa, os coordenadores sentiram a necessidade de oferecer esse tipo de atendimento para uma parcela dos participantes. “A gente percebeu situações muito delicadas de alunos, que a gente não conseguia alcançar, como problemas na família, questões pessoais e profissionais, que um atendimento psicológico poderia suprir”. Foram realizadas quatro sessões de terapia durante o PAAC.

 

Coletivo: o começo de tudo

 

A ANFEA está prestes a se formalizar como entidade. Ela foi criada em março de 2020, bem no início da pandemia. Mas suas raízes foram fincadas bem antes. Em 2015, quando Renan Santos da Silva estava no primeiro ano da faculdade — aliás na primeira semana de aula — ocorreu um episódio que marcou sua trajetória dentro da FEAUSP.  A sala de aula foi “invadida” pelo coletivo negro auto organizado da USP, denominado Ocupação Preta, e gerou um descontentamento em diversos alunos que consideraram o debate racial inapropriado para o ambiente de sala de aula. O episódio ganhou as redes sociais. Foi nesse momento que Renan pensou: “Por que não termos na FEA nosso próprio coletivo para discutir as questões raciais?”. A partir daí surgiu o Coletivo Carolina Maria de Jesus, o precursor da ANFEA.

 

“Quando você pensa em coletivo, já imagina questões relacionadas a protesto, intervenções, como a que aconteceu em 2015 na FEA, que originou nosso primeiro coletivo negro. O coletivo surgiu justamente pautando questões públicas e políticas. Mas depois que as cotas sociais foram implantadas na USP em 2018, houve um novo questionamento sobre o futuro do movimento, sobre qual seria o próximo passo”. Segundo Renan, o que se pensou naquele momento de transição foi que não bastava ao aluno negro entrar numa universidade pública, ele precisava de outros suportes para se desenvolver na carrreira.

 

“A gente entende que o aluno branco, que estudou em uma escola de elite, por exemplo, ele já tem um tio que é do mercado financeiro que vai ser o mentor dele. Ele já teve workshops lá na escola dele, que falaram sobre hard e soft skills. Esse aluno tambem já teve uma preparação de inglês, e muitas vezes já viajou para fora do país. Era isso que a gente sentia falta. Então, justamente daquilo que mais a gente sentia falta quando entramos na FEA, é o que a ANFEA está oferecendo para quem está chegando agora, que é a mentoria, o inglês e os workshops”.

 

Novembro Negro

 

Além do Programa de Aceleração de Carreiras, a ANFEA realizou em 2021 o Novembro Negro: uma semana de palestras que teve o engajamento de outras entidades estudantis da FEA. O evento falou de empreendedorismo negro, jornada acadêmica de pessoas negras, iniciativas de entidades negras no mercado financeiro e iniciativas artísticas. No fechamento, foi realizado o ANFEA Institucional.

 

“O Novembro Negro foi um evento em que chamamos as entidades para perto. Foi muito bom ver as entidades trabalhando juntas. Acho que a questão racial é transversal. A ANFEA não tem um viés político nem partidário. A gente perpassa  por todas as entidades, por todos os espaços”, pontuou Renan. Os vídeos do Novembro Negro podem ser assistidos através do site da ANFEA: https://anfea-usp.com.br/. Para 2022, além de uma nova edição do PAAC e do  Novembro Negro, A ANFEA pretende lançar um podcast em seu site. Outra novidade será o Encontro Anual da ANFEA.

 

 

Data do Conteúdo: 
Segunda-feira, 3 Janeiro, 2022

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