Análise e Opinião - 2010 – 2020: um período promissor para o Brasil?

“A mais polêmica das sessões foi a da Amazônia, com visões conflitantes sobre a possibilidade de garantir a preservação da floresta versus agronegócio em larga escala.”

    REALIZOU-SE NA FEA DE 24 A 26 DE JUNHO UM COLÓQUIO PARA DISCUTIR QUAIS AS MEDIDAS A SEREM ADOTADAS PARA TORNAR A PRÓXIMA DÉCADA MAIS PROMISSORA PARA A SOCIEDADE BRASILEIRA E COMO A UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO PODE SE PREPARAR PARA CONTRIBUIR PARA QUE ISTO OCORRA. O organizador do Colóquio foi o Professor Jacques Marcovitch apoiado por diretores de várias unidades da USP.

    Os temas escolhidos para debate foram aqueles em que atuou de uma forma ou de outra o autor desta nota nos 60 anos em que se dedicou à USP como pesquisador, professor, chefe de departamento, diretor de unidade (Instituto de Física) e Reitor.

    As sessões tiveram quatro ou cinco palestrantes; assistiram a cada uma delas cerca de cem professores e estudantes e as apresentações e debates foram transmitidos ao vivo pela internet. Na sessão final os coordenadores das diversas sessões e os professores Celso Lafer (Presidente da FAPESP), Carlos R. Azzoni (Diretor da FEA) e Cesar Ades (Diretor do Instituto de Estudos Avançados) expressaram suas visões sobre os temas discutidos.

    A riqueza dos debates foi grande demais para ser resumida aqui mas darei minhas impressões sobre os pontos que mais chamaram minha atenção.

Módulo 1: Ciência e Desenvolvimento
    Há um largo fosso entre a pesquisa que se faz nas universidades e o desenvolvimento industrial do país onde menos de 20% dos cientistas trabalha, isto é, há pouca demanda do sistema produtivo para os mestres e doutores que a universidade produz.

Módulo 2: Energia e Desenvolvimento Sustentável (eficiência energética e fontes renováveis de energia)
    É preciso racionalizar o sistema energético nacional colocando em prática a Lei aprovada em 2001 que estabelece padrões de desempenho dos equipamentos em uso no país. Estimular o uso de outras energias renováveis além da hidroelétrica e etanol.

Módulo 3: Universidade e Desenvolvimento
    A meta para a USP na próxima década poderá ser a de colocá-la entre as 50 melhores universidades do mundo. A importância da autonomia de gestão e previsibilidade orçamentária foi enfatizada repetidamente.

Módulo 4: Tecnologia e Desenvolvimento (Planejamento energético)
    Foi salientada a importância de um plano de longo prazo como o Plano 2030.

Módulo 5: Amazônia
    A mais polêmica das sessões, com visões conflitantes sobre a possibilidade de uso sustentável dos recursos florestais (extrativismo) isto é, garantir a preservação da floresta versus agronegócio em larga escala. A idéia de atribuir valor à floresta em pé – como serviço ambiental remunerado por mecanismos de mercado – foi amplamente discutida bem como a necessidade de regularizar a questão da posse da terra e a presença do Poder Público para garanti-la.

JOSÉ GOLDEMBERG
FÍSICO E REITOR DA USP ENTRE 1986 E 1990

Data do Conteúdo: 
sexta-feira, 1 Agosto, 2008

Departamento:

Sugira uma notícia