Alunos da rede pública recebem noções de empreendedorismo

    Alunos da FEA social e do eLab junto aos alunos da
    ETEC que participam do Projeto
 

Depois da crise de 2008, as economias mundiais se reconstituíram sobre uma nova infraestrutura. Alguns analistas se apressaram em marcar a crise como uma transição para a chamada gig economy. Com novos empregos e relações sociais, a nova infraestrutura gera princípios, valores e um modo de pensar que a complementam e a reforçam.

Uma iniciativa dos alunos da FEA Social e do eLab (Laboratório de Empreendedorismo da FEA) leva essa reflexão, com riqueza de detalhes, a quem só recebe cotidianas pinceladas de empreendedorismo pela mídia. Trata-se do projeto EMpreende SIM, que tem patrocínio da Fipe. Preocupados em formar empreendedores e incentivar a geração de novos negócios, a ideia é levar conteúdo focado em empreendedorismo para alunos do ensino médio da rede pública paulista.

A primeira edição do projeto já está rodando. Jovens do terceiro ano do ensino médio da ETEC Abdias do Nascimento, escolheram voluntariamente fazer parte dessa iniciativa. São 20 horas em sala de aula, separadas em encontros semanais de pelo menos uma hora e 40 minutos. Desde o começo do curso, eles são divididos em grupos de mais ou menos cinco pessoas, com os quais eles vão assistir e comentar as aulas, enquanto fazem exercícios para fixar o conteúdo. 

“Eles falam muito, mas a gente descobriu que eles prestam mais atenção se tiver alguma atividade para fazer”, afirmou Eduardo Motta, estudante de Administração e membro do eLab. Quando disse isso, ele dava aula sobre o tema Financiamento (Funding) e Ecossistema Empreendedor, e estava passando entre as mesas para checar se os alunos faziam o exercício. Toda explicação é seguida de uma aplicação dos conceitos, um problema prático discutido no âmbito dos grupos.

Além das aulas com os estudantes da FEA, o projeto separou um tempo para palestras inspiradoras e que possam dar um contexto real para todo conteúdo teórico. A proposta é sempre chamar empreendedores sociais de sucesso, microempreendedores da região das escolas, e do universo tecnológico. 

Seguindo a preocupação da fixação de todo conteúdo por meio da prática, no final do curso há uma apresentação final de um modelo de negócio. Um dos grupos mais entusiasmados, que sentam na frente para assistir às aulas, quer apresentar o Tinder dos estudos™, com o objetivo de juntar pessoas com habilidades em áreas diferentes, por exemplo português e matemática, para estudarem juntos e se ajudar. 

Faz parte desse grupo o estudante e futuro técnico de informática, Eduardo Fabrin. Com 18 anos, morador do Parque Arariba, a 20 minutos da ETEC, ele já tem muito interesse em empreendedorismo. Diz que já teve aulas sobre na escola, porém o diferencial do projeto dos alunos da FEA é que “eles são mais da nossa idade”. O pai dele está desempregado, mas busca abrir uma empresa própria de lavagem de sofás. Sua mãe também é uma inspiração empreendedora: “ela é artista e sempre conseguiu se relacionar bem com as pessoas, sempre soube vender bem seu produto”.

Apesar de não ser o único programa de disseminação das ideias empreendedoras, a conexão pelo contexto social e pela proximidade de idade leva a uma maior preocupação por parte dos alunos que estão a frente do projeto. Sem dúvida, ainda que a epidemia de empreendedorismo seja um sintoma da gig economy, os membros da FEA Social e do eLab acreditam, como está expresso no programa do projeto, que ele pode ser abordado “como forma de solucionar problemáticas sociais e de garantir desenvolvimento econômico sustentável e inclusão”. Com essa preocupação, talvez a riqueza da troca de experiências e de realidades seja o maior diferencial do projeto. 

    O empreendedor social Gustavo Fuga ministrando aula pelo Projeto
 


Autor: Breno Queiroz
Gente da FEA - novembro de 2019

Data do Conteúdo: 
terça-feira, 12 Novembro, 2019

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