Alunos constroem modelo de gestão baseado na sala Obeya

Por Breno Queiroz

 

Obeya significa “quarto grande” em japonês. No início dos anos 90, a fabricante de veículos Toyota criou um modelo de gestão visual, batizado de sala Obeya, onde todos os projetos e ideias tinham de ficar necessariamente descritos nas paredes e apresentarem alguma lógica visual para a resolução de problemas, melhoria das ideias e acompanhamento.

 

Inicialmente utilizado em processos de desenvolvimento de produtos, esse tipo de gestão foi se alastrando para outros setores da montadora, que careciam de agilidade e interação entre profissionais com diferentes formações. Atualmente, a sala Obeya é muito usada por startups devido à sua possibilidade de antecipar os riscos de um negócio e, também, de acompanhar mais rápido as demandas do mercado dinâmico.

 

Recentemente, alunos da disciplina Lean Startup e Lean no Desenvolvimento de Produtos, ministrada pelo professor Alvair Silveira Torres Júnior, do Mestrado de Empreendedorismo Social da FEAUSP, transformaram a sala do Núcleo de Pesquisa em Excelência Operacional (NUPEXO) numa sala Obeya. E, naquele espaço, elaboraram um esboço do que seria o modelo de gestão visual, aplicado a um tipo específico de negócio: uma plataforma de apostas.

 

Simulando a famosa sala Obeya criada pela Toyota, os alunos usaram as paredes para colar papel e post-its. A sala foi dividida então em “quatro estágios”, cada um com uma determinada representação visual.

 

O primeiro estágio tinha por finalidade estabelecer os atributos dos clientes (foto). Para uma plataforma de apostas, os alunos pensaram em dois perfis diferentes: um apostador profissional e um amador. Cada um com suas necessidades, que por vezes, são comuns aos dois: segurança, resultados em tempo real, pagamento imediato e tratamento VIP.

 

Segundo o professor Alvair, a análise do consumidor geralmente é qualitativa e simples para acertar o mercado antes que a demanda se altere. “O tradicional é isso: faz pesquisa de mercado, faz um businness plan, depois é que se executa. Isso demora muito, e é incerto. Por isso é que nasceram esses métodos operacionais mais ágeis”.

 

O segundo estágio tinha que estabelecer o fluxo da utilização do produto, ou seja, desde a publicidade que irá atrair o jogador, passando pela seção de cadastramento, até o recebimento do resultado. Neste estágio, os atributos dos jogadores são relacionados com o funcionamento do produto e alguns riscos são antecipados, como o desejo de segurança do consumidor e a proteção dos seus dados no cadastramento. 

 

No terceiro estágio ficava o quadro de milestones, os marcos do desenvolvimento do trabalho. Para o exemplo dado, dividindo a equipe em dois times, marketing e tecnologia da informação (TI), mês a mês, eles têm um calendário de entregas. Algo que ainda não é um cronograma de atividades, mas sim um quadro maior e geral de acompanhamento de cada etapa do desenvolvimento. 

 

As atividades do dia a dia ficaram dispostas no último estágio. Entre análise, desenvolvimento e teste, as atividades de cada etapa vão sendo colocadas em ordem, de forma que é possível acompanhar o que está pronto, parado ou sendo feito no processo, e também as atividades da próxima semana que vão entrando no quadro. 

 

O professor Alvair Silveira Torres (na foto, à esquerda) entende esse projeto como “um legado do mestrado profissional para a graduação”. O modelo que está propositalmente incompleto vai ser apresentado para os alunos da graduação com ajuda de um de seus orientandos, o pesquisador e vice-Líder do NUPEXO, Franco Parini (na foto, à direita). Assim, para além do tradicional em gestão de processos, os alunos terão contato com um modelo que privilegia a agilidade, o desenvolvimento em funcionamento, e a participação ativa da equipe, que pode facilmente se ver no processo quando ele está representado nas paredes.

 

 

 

Data do Conteúdo: 
sexta-feira, 13 Dezembro, 2019

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