Seminário expõe as possibilidades das multinacionais brasileiras

Matéria e fotos: Por Ingrid Luisa

O professor Armando Dalla Costa (UFPR), no seminário “Panorama e possibilidades das multinacionais brasileiras”, explicou as estratégias de muitas empresas nacionais para se inserirem no mercado internacional e lucrarem com ele. O seminário, com o intuito de debater o artigo homônimo de Dalla Costa, foi realizado no dia 27 de Setembro, sob coordenação do professor Alexandre Saes (FEAUSP). Cada vez mais empreendimentos de países de terceiro mundo ganham espaço, e estudar suas trajetórias é uma boa forma de analisar os métodos utilizados.

O termo “internacionalizar” não está bem definido entre os estudiosos da área, afirmou Dalla Costa. Ele explicou que uma das versões mais aceitas diz que quando uma empresa possui atividades econômicas em dois países diferentes, ela já está internacionalizada, mesmo se for, por exemplo, apenas para fabricar em locais com mão de obra mais barata (como a China), mas focando no público do país de origem. Também há estudiosos que só consideram o empreendimento como internacional quando há exportação.

Historicamente, os processos de internacionalização tiveram início com as empresas europeias, sobretudo inglesas, até o fim do século XIX. Depois, aos poucos, empreendimentos norte-americanos foram ganhando espaço, e após a Segunda Guerra surgiram na Europa toda e no Japão, já recuperado. No início dos anos 2000 foi a vez dos países emergentes avançarem nesse ramo, inclusive América Latina e Brasil. A primeira empresa internacionalizada que surgiu no país foi a VALE, nos anos 40, uma “born-global”, que nasceu para servir o mercado externo.

Segundo Dalla Costa, existem duas explicações, do ponto de vista teórico, que ajudam na compreensão do processo de internacionalização: vantagens desenvolvidas pelas próprias empresas e benefícios naturais do país de origem desses empreendimentos. Baseando-se em dois estudiosos da área, Alan Rugman e Sanjaya Lall, o professor procurou explicar como isso foi válido para o Brasil.

O primeiro ponto está relacionado à capacidade da empresa de coordenar o uso da vantagem na produção, comercialização ou personalização de serviços. Um exemplo citado pelo professor foi a PETROBRAS, que desenvolveu tecnologia de prospecção a 3 mil metros de profundidade no mar, o que praticamente fez o Brasil se tornar autossuficiente em petróleo, e a empresa se tornar líder nesse ramo.

O segundo, vantagens específicas do país, que podem ter relação com fatores naturais da nação ou podem consistir na quantidade, qualidade e custo de instalações industriais, o exemplo citado foi a produção de carne, já que o gado no Brasil não precisa se alimentar de ração, ingerindo apenas pasto ou derivados de milho e soja (por conta da grande produção interna), gerando uma carne de melhor qualidade que é reconhecida no mundo inteiro.

Dentre os vários dados exibidos por Dalla Costa, um deles mostrou que, de acordo com o Boston Consulting Group, existem 115 empresas latino-americanas internacionalizadas cujo faturamento supera os 500 milhões de dólares, e o Brasil lidera esse ranking, com 37 empresas. O professor explicou que a maioria das empresas internacionalizadas brasileiras procuravam, no início, se expandir em um mercado próximo, latino-americano. Questões culturais, facilidade linguística e proximidade foram fatores determinantes para isso. Hoje em dia, são os Estados Unidos que mais têm filiais de multinacionais brasileiras, seguidos da América Latina, Europa e Japão. Outro destaque é a China, que aparece em segundo lugar como país individual com maior quantidade de empresas brasileiras instaladas.

Os tipos de empreendimentos brasileiros no exterior são bem diversificados, indo desde estatais que abriram seu capital a setores de alta tecnologia. A Embraer, por exemplo, é líder no mercado mundial de aviões de pequeno e médio porte.

O artigo completo, que também traz panoramas individuais da história de grandes empresas brasileiras, está disponível para download em pdf

 

Data do Conteúdo: 
quinta-feira, 5 Outubro, 2017

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