Seminário discute o combate a corrupção no Brasil

por Rafael Benaque

Na última quarta-feira, dia 20, um seminário abordou aquele que é um dos maiores entraves para o crescimento do país: a corrupção. Em sua apresentação Quem está punindo os políticos corruptos no Brasil? Eleitores ou o Governo Central?, a professora Fernanda Brollo buscou analisar o programa anticorrupção do Brasil e de que forma este age efetivamente.

Esse trabalho foi estimulado pela importância do assunto para a economia: “A corrupção é um grande obstáculo ao desenvolvimento e, em um país tão descentralizado como o Brasil, o controle é bastante complicado”, conta Fernanda.

Assim, a professora passou a estudar o programa anticorrupção do país buscando entender de que forma os relatórios chegam à população. A pergunta-título do seminário ilustra bem a forma como a tese se desenvolve e nos leva a descobrir como funciona a luta contra as práticas ilegais do governo.

Esse projeto de combate a corrupção começou em 2003. O processo é simples: municípios de até 450 mil habitantes passam por um sorteio e, aqueles que forem escolhidos, passarão por uma auditoria da Controladoria Geral da União (CGU). Depois de alguns meses, um relatório é enviado para o Tribunal de Contas da União e, se neste documento estiverem presentes evidências de corrupção, o repasse de verbas para o município é reduzido.

Os resultados dessas auditorias são alarmantes. Segundo Fernanda, mais de 80% dos municípios sorteados têm, pelo menos, uma evidência de corrupção. Além disso, os municípios mais corruptos, isto é, com um número maior de ocorrências de práticas ilegais, são os mais analfabetos e mais pobres.

O que chama a atenção é a forma como esse programa age nas urnas. Para Fernanda, independentemente de quando os relatórios são publicados, estes sempre alteram os resultados das votações. Se os resultados das auditorias forem divulgados em período eleitoral, a população terá conhecimento das práticas ilegais de seu prefeito e, dificilmente, votarão nele novamente. Já as auditorias são concluídas longe das eleições, o processo é outro: “A informação se esquece. Porém, por haver a redução nas verbas para as obras, as pessoas percebem que nada mais está sendo feito, que este prefeito não tem mais o que oferecer à cidade”, afirma Fernanda.

Para a pesquisadora, o programa anticorrupção brasileiro acaba tendo essas duas frentes de combate. O governo central pune ao reduzir as verbas para os municípios corruptos e o eleitor, ao não votar em prefeitos pegos nas auditorias, também ajuda a reduzir as ocorrências de corrupção. Para acessar a apresentação completa, visite ftp://ftp.igier.uni-bocconi.it/wp/2008/336.pdf.
 

Data do Conteúdo: 
segunda-feira, 25 Agosto, 2008

Departamento:

Sugira uma notícia