Seminário destrincha modelo teórico da Nova Geografia Econômica

Por Luigi Parrini

O segundo evento do ciclo de palestras "Estado da Arte em Economia", organizado pelo professor emérito da FEA-USP Antonio Delfim Netto e realizado nesta terça-feira (3), abordou a Nova Geografia Econômica (NGE). A trajetória desse modelo teórico e seus detalhamentos foram pontos apresentados pelos professores Mauro Lemos, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e Eduardo Haddad, da FEA-USP.

O professor mineiro, especialista em desenvolvimento regional, apresentou os termos que compõem o tripé da NGE: retornos crescentes de escala localizados, custos de transporte e movimentos dos fatores de produção. Lemos destacou a possibilidade de se trabalhar com resultados em aberto na teoria, de modo a contemplar parâmetros de equilíbrio entre centro e periferia, convergências e equilíbrios instáveis.

Mauro Lemos também falou sobre a hegemonia da NGE nos estudos de Economia Espacial, tanto dentro quanto fora do mainstream teórico, da proliferação de trabalhos empíricos, inclusive no Brasil, e das críticas às limitações do modelo, tais como o fato de se basear em localidades abstratas e de não contemplar o papel das instituições, entre elas o Estado, e sua interação com as firmas. O pesquisador se estendeu ainda na abordagem de antecedentes teóricos e da estrutura do modelo em seus detalhes.

Eduardo Haddad complementou a fala de seu colega e apresentou a NGE de forma mais didática, de modo a destacar a causação circular de ligações, elemento crucial do modelo, já citado por Lemos.

A causação circular implica as seguintes relações: quanto mais pessoas em determinada área, maior a demanda, e maior o número de firmas; sendo o maior o número de firmas, surgem mais retornos crescentes e concorrência monopolística; esses fatores aumentam as variedades, de modo a gerar preferências por essas variedades e custos de transporte; daí deriva maior renda real, que, a gerar mobilidade da mão-de-obra, aumenta o número de pessoas na área de concentração econômica.

Haddad reiterou as análises da teoria já feitas por Lemos e mostrou a análise de impacto desenvolvida por seu grupo de pesquisa em relação aos projetos de duplicação das rodovias BR-262 (sentido leste-oeste) e BR-381 (norte-sul), ambas em Minas Gerais, pertencentes ao Programa de Aceleração do Desenvolvimento (PAC) do Governo Federal.

Os resultados das análises foram diversos, sendo que, na BR-381, os impactos positivos se destinam às regiões Norte e Nordeste do país, em detrimento das regiões Sul e Sudeste, que sofrem com efeitos de congestionamento na rede de transportes.



Data do Conteúdo: 
quinta-feira, 5 Junho, 2008

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