Samuel Pessôa apresenta paper sobre estagnação de capital humano no Brasil

Pesquisa demonstra que apesar do aumento de escolaridade, remuneração por tempo de estudo diminuiu

Nesta sexta-feira, mais um seminário acadêmico organizado pelo Professor Marcio Nakane foi apresentado na FEAUSP. Samuel Pessôa, do Ibre (Instituto brasileiro de economia) da Fundação Getúlio Vargas, apresentou o paper Evolução da Produtividade Total dos Fatores na Economia Brasileira com Ênfase no Capital Humano – 1992-2007.

A pesquisa utiliza medidas de capital humano para medir a evolução da produtividade total dos fatores (PTF). A base para o que Pessôa apresenta, é que apesar do aumento de horas de estudo dos trabalhadores, a contribuição do capital humano nacional para o crescimento do PIB é praticamente nulo no período.

Primeiramente foi apresentada a metodologia utilizada no trabalho. Foram definidos 5 níveis de escolaridade e 7 faixas de experiência, resultando em um total de 35 qualidades de força de trabalho. Com isso é construída uma equação de estimação do retorno, a partir das faixas. O aspecto importante é que, apesar do grande aumento na escolaridade da força de trabalho no país, o diferencial de retorno entre as faixas de escolaridade também caiu muito.

Assim, a partir da decomposição do crescimento, Pessoa obtém o resultado da estagnação do capital humano. Pessôa apresenta duas possíveis leituras para esta estagnação. A primeira delas desvaloriza a educação, o que para ele é uma tradição do pensamento econômico latino americano. Acredita-se que quando o profissional é colocado no mercado ele pode render ou não, de acordo com a afinidade com o trabalho e sua capacidade. Logo o maior tempo passado estudando não serve para o aumento do capital humano. Por outro lado, outra leitura possível é a de que os anos a mais de estudo fazem sim diferença, porém o problema que se apresenta é de seleção de trabalhadores.

Entre as possíveis explicações para a estagnação do capital humano está o aumento da oferta por mão de obra mais qualificada, no entanto o mercado não demandou tal aumento. Com isso, pode-se explicar a estagnação do capital humano, apesar do aumento do tempo de estudo.

Data do Conteúdo: 
quinta-feira, 19 Novembro, 2009

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