Pesquisa discute impactos econômicos da implantação das ciclofaixas

Fábio TieppoImplantadas pela prefeitura de São Paulo em 2013, as ciclofaixas foram pensadas para incentivar o uso de bicicletas como alternativa na forma de mobilidade na cidade, seguindo o exemplo de outros lugares na Europa e nos Estados Unidos, como Amsterdã e Nova York, que já possuem políticas de diversificação de transportes. No entanto, ainda muito pouco foi estudado sobre os reais impactos que as ciclovias tiveram tanto no trânsito, quanto nas regiões em que foram implantadas em São Paulo. Pensando nisso, o aluno Fábio Lunardi Tieppo, decidiu estudar especificamente os impactos das ciclovias sobre o preço dos imóveis da cidade. O estudo faz parte dos trabalhos feitos pelo Núcleo de Economia Regional e Urbana da USP (Nereus), que realiza reuniões semanais agregando professores, pós-graduandos e alunos de graduação com interesse em diversas áreas de economia aplicada à dimensão espacial.

Durante sua pesquisa, Fábio encontrou diferentes dificuldades para a quantificação do tema, “um dos meus maiores problemas foi que na literatura, o número de estudos sobre o assunto é bastante limitado e a maioria dos trabalhos possui um caráter de propaganda”, apontou. Além disso, como utilizou a base de dados do Zap Imóveis para avaliar o aumento do preço médio de lugares próximos à ciclofaixas, precisou lidar com uma quantidade enorme de dados, de mais de 4,4 milhões de imóveis cadastrados e que não refletem necessariamente o preço dos negócios realizados, “os valores mostrados no site são apenas de oferta”, explicou.

Dentre os benefícios do uso das ciclovias estão o seu baixo custo de implementação, os ganhos em relação à saúde e o aumento da qualidade de vida (o uso de bicicletas diminui a poluição no ar, por exemplo). No entanto, em uma cidade como São Paulo, onde o carro ainda tem prioridade nas ruas, as desvantagens das ciclovias incluem o estreitamento de pistas, que pode ter como consequência o aumento do congestionamento dos carros, e a diminuição do número de vagas para estacionamento, que acaba por prejudicar o comércio local. Além disso, existe o desafio de avaliar a qualidade das ciclofaixas e a sua conectividade com outros meios de transportes públicos como o metrô e os terminais de ônibus, “a intenção da prefeitura é que idealmente o usuário utilize a bicicleta até uma estação de metrô, desafogando o trânsito”, explicou Fábio.

Hoje em São Paulo existem 381 km de ciclofaixas espalhadas pela cidade, e a intenção da prefeitura é que até o final desse ano esse número chegue a 400 km. Fábio ainda pretende abordar temas maiores em sua pesquisa, “qual é o papel da bicicleta hoje na cidade? Não basta olhar apenas para onde tem ciclofaixas, mas para onde não tem, como por exemplo na periferia, onde muitas pessoas utilizam bicicletas”, concluiu. 

Autora e fotos: Isabelle Dal Maso

Data do Conteúdo: 
sexta-feira, 8 Abril, 2016

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