Perspectivas da Economia Brasileira

No dia 27 de maio, a FEA recebeu a presença ilustre de Maílson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda entre 1988 e 1989. O economista proferiu palestra sobre o tema "Perspectivas da Economia Brasileira", em evento organizado pelo Centro Acadêmico Visconde de Cairu (CAVC), que contou com ótima presença de estudantes. Durante a apresentação, Nóbrega mostrou preocupação com características da nova matriz econômica brasileira, porém elogiou as instituições básicas do país, que o impedem de retroceder no cenário político e econômico. "Não vamos descarrilhar", diz.

O ex-ministro criticou algumas políticas econômicas brasileiras, como a maior tolerância do Banco Central em relação ao aumento da inflação, a expansão exagerada do crédito (33% do crédito não obedece à Selic, taxa básica de juros), o controle de preços para o cumprimento de metas de inflação e o protecionismo. Nóbrega também comentou a´contabilidade criativa` das contas brasileiras, referindo-se às manobras contábeis feitas pelo governo federal para aumentar o superávit primário da União. "Isso está destruindo a credibilidade das contas públicas no Brasil", afirma.

O resultado do cenário econômico atual é o aumento da inflação, que acaba gerando um clima de incertezas com maiores intervenções e instrumentos por parte do governo. Além disso, a nova matriz traz impactos negativos para as contas externas e na produtividade, o que gera um baixo crescimento da economia.

Embora a realidade não seja o cenário ideal e possa gerar temores, Nóbrega apontou o fator fundamental para que o país não perca o rumo do desenvolvimento: suas instituições.

"Temos instituições básicas nesse país que evitam o retrocesso", diz, referindo-se principalmente à democracia, ao poder judiciário independente, à imprensa livre e a uma mudança de cultura do brasileiro, com maior intolerância da sociedade à inflação. O economista destacou, também, a capacidade do Brasil de detectar e corrigir erros. "Essa é a grande diferença entre países autoritários e democráticos", aponta. Segundo ele, a força dessas instituições gera uma ordem política virtuosa, baseada no estado forte e de direito, o que afasta o perigo de um populismo econômico permanente. "Hoje perdemos oportunidades, crescemos pouco, mas não haverá retrocesso", completa.

Cenário internacional
Nóbrega também analisou a situação da economia no mundo, e apontou três focos de atenção: a Zona do Euro, os Estados Unidos e a China. A maior preocupação é com a desintegração da moeda europeia, o que poderia gerar uma crise maior que a de 2008, por conta da integração entre os países. Porém, o cenário de quebra é pouco provável. "Um longo período de baixo crescimento na Europa será o preço a se pagar pela manutenção do euro", diz o economista.

Em relação aos Estados Unidos, Nóbrega destacou a recuperação econômica do país, fortemente impulsionada pela reforma do mercado imobiliário. Quanto à China,país que quadruplicou sua economia nos últimos 15 anos, deve apresentar taxas menores de crescimento. Para Nóbrega, o grande desafio da nação será a transição para uma sociedade mais democrática.


Por Rodrigo Dias Gomes - http://www.fea.usp.br/noticias.php?i=1083

Data do Conteúdo: 
Quarta-feira, 29 Maio, 2013

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