Perspectiva para 2008 é de crescimento na economia mundial

Em palestra ministrada durante o Reencontro de Ex-Alunos 2007, o professor Simão Davi Silber defendeu que a política econômica atual é bem organizada para enfrentar e reverter eventuais crises.

A política econômica atual é bem organizada para enfrentar e reverter eventuais crises. Prova disso é o constante crescimento da economia mundial mesmo com a crise Estados Unidos, já que há outros pólos de crescimento além de tal potência. Esse é um dos motivos para a previsão de um crescimento de 4,8% da economia mundial no ano de 2008, que sofre uma “modesta desaceleração”, segundo o professor da FEA-USP Simão Davi Silber.

Silber ministrou uma palestra com o tema “Conjuntura Econômica Internacional e Nacional: Perspectivas para 2008” durante o evento de Reencontro de Ex-Alunos 2007, organizado pela equipe do Programa FEA+. Durante a exposição, fez-se uma retrospectiva do cenário econômico de 2007 para projetar melhor uma previsão das expectativas para o próximo ano.

O professor apresentou o dado de que a economia do mundo cresceu cerca de 60% entre 2006 e 2007, sendo que 25% desse crescimento foi impulsionado somente pela China, seguida pelos Estados Unidos como segundo maior colaborador, apesar de a ter trazido para baixo com sua desaceleração. “A incerteza dos Estados Unidos vem do mercado imobiliário, que já havia se saturado, mas o Banco Central americano não reagiu. Como conseqüência, viu-se a crise de meses atrás”, explica Silber. O dinheiro que seria investido no mercado imobiliário americano é transferido para a compra de títulos de dez anos nos Estados Unidos, pois com isso há uma maior segurança para o investidor.

A crise de crédito americana deixou o mercado financeiro arredio pelo mundo todo. “Não dá para saber quem é confiável ou não, o que provavelmente vai gerar muito mais volatilidade no mercado no ano que vem”, diz o palestrante. Segundo ele, tanto é assim que o risco-país de diversas nações tem disparado nos últimos meses. No caso do Brasil, por exemplo, o risco passou de 140 – antes da crise dos Estados Unidos – para 203, que é a medida atual.

Apesar de ainda ter muitas barreiras a romper, o Brasil, como esclarece Silber, teve um grande avanço nos últimos tempos, deixando de ser devedor em dólar para se tornar credor. “A dívida líquida caiu e as reservas internacionais foram aumentadas. O país tem 172 bilhões de dólares no caixa e 90 bilhões para pagar”, diz. Por isso, hoje, segundo ele, o maior problema do país não é mais a dívida, mas os escassos recursos energéticos, que representam uma das principais restrições ao crescimento brasileiro.

“O Brasil precisa investir em capital físico, mas não só isso: é necessária mão-de-obra qualificada, que só estará disponível depois de se investir na educação”, opina o professor, que acredita que a atual restrição brasileira é política e não mais econômica.

Data do Conteúdo: 
sexta-feira, 16 Novembro, 2007

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