Estudo propõe novo mapa das regiões do país

Texto e foto: Cacilda Luna

Imaginem se o mapa do Brasil sofresse uma revisão em seu desenho e tivesse a divisão das Regiões baseada em aglomerações de municípios com características socioeconômicas homogêneas, ao invés da atual divisão político-administrativa. A proposta vem de um estudo apresentado no XV Encontro Nacional da Associação Brasileira de Estudos Regionais e Urbanos (ENABER) e I Congresso da Associação Latino Americana e Caribenha da Regional Science Association International, realizados entre os dias 11 e 13 de outubro, na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP (FEAUSP).

O autor do estudo é o economista Greisson Almeida Pereira, que faz doutorado “sanduíche” na Universidade Católica de Brasília (UCB) e Universidade de Alberta, no Canadá. Orientado pelo professor Tito Belchior Silva Moreira, Greisson justifica sua proposta afirmando que a atual divisão político-administrativa do país em cinco grandes regiões “não reflete a junção de municípios homogêneos”. Segundo ele, “a dinâmica econômica e social, ao longo do tempo, vai moldando novos territórios e delimitar uma região somente pela sua fronteira pode não fazer mais sentido”.  

Com os dados dos últimos censos de 2000 e 2010 em mãos, e utilizando uma matriz de 41 variáveis socioeconômicas para cada um dos municípios brasileiros, o economista criou um “novo” mapa para o Brasil com 10 regiões (ou aglomerados como ele prefere chamar), agrupando municípios contíguos e semelhantes em suas características socioeconômicas: Norte, Nordeste I, Nordeste II, Maranhão, Centro I, Centro II, Sudeste I, Sudeste II, Sul I e Sul II. Paralelamente, o estudo também estimou a distribuição do crescimento do PIB nessas regiões, indicando que para os próximos anos os aglomerados Centro II, Norte e Sul II vão apresentar melhor crescimento.

“Sou funcionário de carreira do Banco do Brasil, da área de Economia e Estratégia. Minha pesquisa originou-se de uma necessidade do banco de trabalhar de forma regionalizada no país, na questão de oferta de produtos, atenção ao cliente etc. O Brasil é dividido em cinco regiões, 27 Estados e 5.570 municípios. Essas grandes regiões foram delimitadas em 1942. Sendo nosso país de tamanho continental, será que essas regiões hoje representam municípios com características semelhantes?”, questiona Greisson Almeida Pereira.

Para o economista, ao longo dos anos, houve mudanças nessa dinâmica e a atual configuração das regiões brasileiras não corresponde à delimitação da aglomeração das economias urbanas e seus centros de polarização. “As forças aglomerativas, a indústria se instalando em determinados setores de determinados locais, pessoas que migram de um lugar para o outro em busca de novas oportunidades de trabalho e estudo: isso tudo vai transformando nossa realidade”.

As 41 variáveis socioeconômicas utilizadas na “clusterização” do mapa brasileiro foram divididas em oito grupos: demográfico e social, mercado de trabalho, econômico, produção agropecuária e extrativa vegetal, setor externo, bancário, serviços básicos, e desempenho educacional.

20% dos municípios fora de suas regiões originais

Mapa BrasilDe acordo com os resultados do trabalho, denominado “Uma proposta de redesenho do mapa das regiões do Brasil e as projeções de crescimento econômico dos novos aglomerados para os próximos anos”, ao se contrapor os municípios dos aglomerados sugeridos com os das atuais regiões político-administrativas, cerca de 20% dos municípios não se assemelham mais com suas regiões originais. 

A região Sudeste, onde se concentrava mais da metade do PIB nacional em 2010 (55,38%), no novo desenho se transforma em dois aglomerados – Sudeste I e Sudeste II – sendo que o primeiro concentra os municípios dos Estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, parte da Bahia e parte de Minas Gerais, enquanto que o segundo representa grande parte dos municípios dos Estados de São Paulo e Paraná, além de Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul.

Um aglomerado que chamou a atenção, na apresentação do estudo, foi o Maranhão, pelo fato dele representar isoladamente uma região. Greisson disse que ao cruzar as principais variáveis utilizadas, entre elas o PIB e a renda per capita, seus índices ficaram bem menores em relação aos municípios ao seu redor, o que obrigou a delimitar o Estado num aglomerado único. “Mesmo dentro de uma região bem pobre, ele é mais pobre ainda”, justificou.

O economista Greisson Almeida Pereira afirma que o novo mapa das regiões para o Brasil “ressalta a importância de se rever políticas públicas em função das atuais delimitações territoriais, como a distribuição do FPM (Fundo de Participação dos Municípios) e do FPE (Fundo de Participação dos Estados), a destinação de recursos dos Fundos Constitucionais e as áreas de atuação de bancos de desenvolvimento regionais”. Segundo ele, dessa forma “é importante um novo olhar para o desenho das regiões, onde políticas públicas possam ser tomadas levando-se em consideração as diferenças regionais”.

Data do Conteúdo: 
quinta-feira, 16 Novembro, 2017

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