Doutorando apresenta estudo sobre o impacto ambiental e socioeconômico do etanol e do biodiesel no cerrado brasileiro

Por Luigi Parrini

Os Seminários Socioambientais desta segunda-feira (9) apresentaram o desenvolvimento da tese de doutorado de Rafael Feltran Barbieri, orientada pelo professor Ricardo Abramovay, do Núcleo de Economia Socioambiental (NESA) da FEA-USP.

O trabalho, denominado "Biocombustíveis: impactos socioeconômicos e ambientais", procura evidências do surgimento do que o economista Ignacy Sachs denominou "civilização da biomassa", nos quais a biotecnologia, a biodiversidade e o uso energético de biomassa têm papel fundamental em sua constituição.

Barbieri usou como "inspiração" o texto "A Revolução Energética do Século XXI" de Sachs, que apresenta o aquecimento global como propulsor de uma geopolítica de incentivo ao uso de energias limpas e renováveis, viabilizadas pela alta dos preços do petróleo e por uma população marginalizada do processo de desenvolvimento.

O doutorando procurará verificar, no desenvolvimento de sua tese, se a análise regional dos impactos causados pela produção de biocombustíveis é mais eficaz que uma análise em nível nacional, já que há "falta de trade-off entre fatores ambientais e socioeconômicos na literatura".

As hipóteses iniciais foram traçadas por meio do eixo socioeconômico, com o estudo da permeabilidade da cadeia produtiva, ou seja, se há geração de trabalho alternativo e de renda adicional comparada com cadeia similar de produção de alimentos, e do eixo ambiental, sobre o uso e o manejo da terra de forma indireta (substituição de terras destinadas a alimentos por combustíveis) ou direta (desmatamento).

A partir daí, Barbieri citou os locais nos quais o trabalho se realizará (as cidades de Mineiros, Jataí e Rio Verde, no sudoeste de Goiás) e relatou o teste das hipóteses com realização de entrevistas e uso de mapas de satélites.O pesquisador também destacou a importância dos combustíveis renováveis no Brasil (46% da matriz energética, contra 18% no resto do mundo, em TEPs – Toneladas Equivalentes a Petróleo).

As análises até agora feitas para o trabalho indicaram que a produção de etanol na região escolhida se assemelha com o sistema agrário paulista dos anos 80, com pouca mecanização, recrutamento de bóias-frias, remuneração entre R$ 445,00 e R$ 900,00 e aumento de trabalho escravo e queimadas. O biodiesel, no entanto, provocou poucas mudanças no sistema agrário da soja, com destaque para o aumento da produtividade dos pequenos proprietários.

Data do Conteúdo: 
terça-feira, 10 Junho, 2008

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