Divergências de abordagem teórica abrem o ciclo O Estado da Arte em Economia

Por Luigi Parrini

Na terça-feira (29), o seminário "O Debate Macroeconômico: Neoclássicos e Neokeynesianos" abriu o ciclo temático O Estado da Arte em Economia, organizado pelo professor emérito da USP e ex-ministro da Fazenda e do Planejamento Antônio Delfim Netto. 

Gilberto Tadeu Lima, da FEA-USP, e Fernando de Holanda Barbosa, da FGV do Rio de Janeiro, abordaram o tema por perspectivas diversificadas. Enquanto Barbosa apresentou o seminário com grande utilização de expressões econométricas, Lima preferiu uma explicação com enfoque mais humanístico.

O economista da FGV iniciou sua fala diferenciando a Agenda Keynes, linha de pesquisa iniciada pelo próprio Keynes e presente na academia até 1978. De acordo com Barbosa, "a consolidação das linhas de pesquisa keynesianas em livros-textos" levou ao estabelecimento de uma nova agenda de pesquisa, a Agenda Lucas, vigente até hoje, na qual a grande crítica reside no fato de que "o mercado dança conforme a música".

Barbosa aprofundou-se nos aspectos econométricos da teoria neokeynesiana, como modelos de equilíbrio geral e estruturas matemáticas de modelos macroeconômicos.

Por fim, criticou o uso da "calibragem", ou seja, de uma adaptação teórica que tem validade no ambiente acadêmico, mas não se aplica à realidade. "Modelos acadêmicos só devem ser usados para o bem-estar do povo", concluiu.

O professor da FEA-USP Gilberto Tadeu Lima abriu sua explanação conceituando a abordagem keynesiana, que, de acordo com ele, está preocupada com a "sub-utilização dos fatores produtivos como norma em uma economia de mercado".

Em uma explicação nomeada por ele mesmo como "keynesiana por não abarcar desdobramentos e neokeynesiana por ir além de uma interpretação fundamentalista", Lima destaca o Princípio da Demanda Efetiva na teoria neokeynesiana: a determinação da produção efetiva pela demanda esperada e a inexistência de mecanismos, no estado natural do mercado, que garantam a plena ocupação dos fatores produtivos.

O ponto de discórdia em destaque entre os palestrantes foi a definição do conceito de inflação. Lima definiu a inflação como "um conflito distributivo com diferentes formas e participantes". Barbosa refuta e qualifica a inflação como "a alíquota de um imposto sobre a moeda, proveniente de um conflito distributivo que deságua no orçamento". O professor da FEA-USP, em réplica, afirmou que não havia especificado de que forma o conflito se dava, de modo que a definição de Barbosa se encaixava no conceito apresentado por ele.

"Pluralidade e Rigor na FEA-USP", do Prof. Antonio Delfim Netto para o jornal Valor Econômico.
Veja aqui o artigo
: link: http://www.fea.usp.br/noticias/10


Veja aqui as apresentações da Palestra do dia 29.10.08
Macroeconomia: Estado das Artes
- Prof. Fernando de Holanda Barbosa
O Debate Macroeconômico: Neoclássicos e Keynesianos - Prof. Gilberto Tadeu de Lima

Você pode assistir a gravação da palestra pelo IPTV no seguinte endereço:
http://iptv.usp.br/overmedia/visualizarVideo.jsp?_InstanceIdentifier=0&_EntityIdentifier=uspexJ7HkOQ6pMxCn3s7_1lEkVowjZOHtvbsbdFDseg2nM.

Data do Conteúdo: 
Quarta-feira, 30 Abril, 2008

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