Dissertação propõe analisar impactos socioambientais das produções de carvão vegetal no Brasil

Por Luigi Parrini

O Seminário Socioambiental desta segunda-feira (19) abordou o texto "Carvoejamento, pobreza e devastação ambiental nos pólos siderúrgicos de Minas Gerais e Carajás", dissertação de mestrado em desenvolvimento por Thiago Silva. O evento é organizado pelo Núcleo de Economia Socioambiental (NESA) da FEA-USP.

A dissertação, de acordo com Silva, pretende abordar a identidade e a análise de esquemas de produção de carvão vegetal associados à degradação, seja ambiental ou social. O conceito de degradação concentra o processo de desmatamento não-autorizado, em termos ambientais, e, quando se trata do ser humano, a exposição a riscos de saúde, remuneração aquém do salário mínimo e contratação informal ou terceirizada desprovida de direitos trabalhistas.

O destaque do estudo é o desenvolvimento de um coeficiente que compara o carvão vegetal utilizado na indústria siderúrgica com a produção declarada em anuários do setor carvoeiro. O cálculo indicou que 20% do carvão utilizado na produção de ferro-gusa provém do uso ilegal da mata nativa.

O mestrando também mostrou a diferença entre as regiões as quais tem intenção de abordar no estudo: a Serra dos Carajás, entre os estados do Pará e do Maranhão, e os vales do Jequitinhonha e do Rio Doce, em Minas Gerais. A produção mineira se estrutura de modo familiar, enquanto, em Carajás, o processo de contratação é predominantemente informal.

Ao fim da apresentação, professores e outros espectadores fizeram comentários sobre a proposta de dissertação e sugeriram mudanças, tais como restringir o escopo de pesquisa à região de Minas Gerais e abordar a questão do uso alternativo do solo para licenças de desmatamento.

Data do Conteúdo: 
domingo, 25 Maio, 2008

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