Condição de mulher negra no mercado de trabalho prioriza discussões no 13 de maio

Por Luigi Parrini

Em comemoração ao dia da Abolição da Escravatura, o Departamento de Economia (EAE) da FEA-USP e o PROLAM promoveram o seminário "Programas e Ações para a Promoção Social da Mulher Negra". Professores e representantes de movimentos sociais apresentaram propostas e análises e formularam discussões sobre a participação da mulher negra no mercado de trabalho.

Após apresentação de abertura do chefe do EAE, o professor Joaquim Guilhoto, a professora da FEA-USP Maria Cristina Cacciamali apresentou os resultados do projeto de pesquisa "Uma perspectiva comparada sobre a discriminação de salários entre empregados formais e informais segundo gênero e raça". De acordo com o estudo, as mulheres negras ganham 60% da renda de um homem branco na mesma função, sendo que metade dessa defasagem salarial provém de fatores discriminatórios.

A pesquisa também inferiu que, no Rio Grande do Sul, região na qual o estudo se aprofunda, a desigualdade de renda entre as mulheres negras está nivelada em valores consistentemente baixos e são as famílias chefiadas somente por elas as que recebem a maioria dos benefícios de políticas sociais.

Teresinha Bernardo, professora da PUC-SP, e Mazé Lima, secretária da Cidadania da Prefeitura de Sorocaba, abordaram o tema "Situação e Políticas Vigentes". Teresinha enfatizou o fato de, no Brasil, a expectativa de vida da mulher negra é menor que a do homem branco, apesar de, em termos mundiais, a expectativa de vida masculina ser sistematicamente inferior à feminina.

Mazé falou sobre a situação da mulher negra no Brasil, mais escolarizada que o homem negro e pioneira no ingresso feminino ao mercado de trabalho. Ela enfatizou a necessidade de se criarem políticas educacionais para a elevação da auto-estima do negro. "Nos bancos da escola não há discussões prioritárias para a auto-estima da criança". A secretária também criticou a abordagem normalmente dada ao 13 de maio ("De maneira jocosa, sem conhecimento da história negra") e o preconceito contra o negro no mercado de trabalho.

Para encerrar as atividades da manhã, houve um debate com a participação das especialistas Márcia de Paula Leite, da Unicamp, e Rosana Ribeiro, da UFU (Universidade Federal de Uberlândia). Márcia enfatizou os aspectos institucionais de implementação de políticas públicas de igualdade de gênero e raça, apontou o salto qualitativo dessas políticas no governo e indicou como maiores problemas o pequeno orçamento destinado aos programas e a falta de uma "massa crítica de gestores capacitados para a questão".

Rosana concentrou sua fala nas mulheres inativas para o mercado de trabalho e de como o Estado deveria prover políticas públicas para dar condições ao maior ingresso feminino no mercado de trabalho. O debate foi encerrado por nova intervenção de Maria Cristina, questionando o caráter específico ou universal das políticas promotoras de igualdade de gênero e raça.

O seminário seguiu à tarde com uma oficina de trabalho para formulação de propostas conjuntas entre especialistas e o público participante e um debate sobre tudo o que foi discutido e proposto durante o dia.

Data do Conteúdo: 
Quarta-feira, 14 Maio, 2008

Departamento:

Sugira uma notícia