Coisas que eu queria saber aos 21: Marilda Sotomayor

10 de dezembro de 2012 | 21h 59

"Aos 21 anos eu fazia licenciatura em Matemática na Universidade do Brasil (hoje UFRJ). Queria ser professora de curso secundário, como minha mãe. Tudo ia bem, mas as conversas com colegas me fizeram despertar para uma realidade pouco animadora. Parecia que todo aquele conhecimento que adquirira estaria fadado ao esquecimento, visto que deveria ensinar só o que aprendera no curso secundário. Como seria parar de estudar?

Graças a uma palestra feita a convite de nossa turma pelo professor Lindolpho de Carvalho Dias sobre a carreira de matemático, tomei conhecimento de que existia o Instituto de Matemática Pura e Aplicada. O Impa, dirigido por Lindolpho, formava mestres e doutores e já tinha fama de estar entre os melhores centros de pesquisa da América Latina. Um mundo novo abria suas portas. Ao terminar a graduação, ingressei no Impa e fiz iniciação científica. Em 1970, fui aceita no mestrado em Matemática, sob orientação de Elon Lages Lima, matemático notável por sua numerosa obra bibliográfica.

No início do mestrado fui contratada pelo Departamento de Matemática da PUC-Rio, onde trabalhei até 1993, quando me mudei para o Departamento de Economia da UFRJ. Desde 1997 estou no Departamento de Economia da USP.

No doutorado, com título outorgado em 1981 pela PUC-Rio, mas realizado na maior parte no Impa, fui orientada por Jack Schechtman. A ideia era fazer uma tese em Processos Estocásticos, mas, dizendo querer testar a minha habilidade em tratar com a Economia Matemática, Jack me propôs um problema em Crescimento Econômico. Era uma extensão do problema abordado por ele no seu doutorado, feito em Berkeley sob orientação do grande economista matemático David Gale. Era um assunto novo. Fui bem-sucedida e Jack me convenceu a transformar o problema na minha tese, publicada no Journal of Economic Theory.

Animada com a carreira científica, rumei em 1983 para Berkeley com bolsa de pós-doutorado do CNPq, esperando aprender com Gale. Para meu desapontamento, ele não estava mais interessado em Crescimento Econômico. Estava envolvido com a Teoria dos Mercados de Matching, o ramo da Teoria dos Jogos homenageada este ano com o Nobel de Economia dado aos matemáticos Alvin Roth e Lloyd Shapley. Gale e Shapley escreveram o artigo seminal nesse assunto em 1962. Shapley foi premiado por ter sido um dos fundadores da teoria e Roth, por ter liderado as aplicações aos mercados de matching do mundo real.

Decidi me dedicar à nova área e aprendi muito com Gale. Mas foi com Roth, então professor da Universidade de Pittsburgh, que escrevi o trabalho mais relevante. Trata-se do livro Two-sided matching. A study in game-theoretic modeling and analysis, publicado em 1990, que compilou toda a teoria de matching. Teve o mérito de atrair a atenção de economistas para uma área de pesquisas de interesse quase exclusivo de matemáticos. Por causa dele, eu e Roth recebemos o Lanchester Prize de 1990, um dos prêmios mais cobiçados na área de Pesquisa Operacional.

Para o jovem que se defronta com o problema de escolher a carreira, diria que o trabalho na universidade oferece um ambiente ímpar: dinâmico, intelectualmente diversificado, estimulante e gratificante. A vida acadêmica vale a pena!”

Para leitura completa, acessar o link: Coisas que eu queria saber aos 21: Marilda Sotomayor ou o seguinte endereço: http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,coisas-que-eu-queria-saber-aos-21-marilda-sotomayor,971821,0.htm

Fonte (reportagem e foto): Jornal "Estadão"

Data do Conteúdo: 
Quarta-feira, 12 Dezembro, 2012

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