Brasil Delivery, da professora Leda Paulani, critica a manutenção da política econômica entre os governos FHC e Lula

Livro também faz análise da economia brasileira no fim do século XX e do neoliberalismo

Por Luigi Parrini

A professora do Departamento de Economia da FEA-USP Leda Paulani lançou, no fim do mês de maio, o livro Brasil Delivery, pela Editora Boitempo. A obra é composta por seis artigos e contém a análise crítica da economista sobre a manutenção e aprofundamento da política econômica do governo Lula em relação à de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, sistematicamente combatida pelo Partido dos Trabalhadores (PT) antes e durante a campanha eleitoral de 2002.

Os artigos, escritos entre 2003 e 2005, foram escolhidos por Leda e por Paulo Arantes, professor do Departamento de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e coordenador da coleção Estado de Sítio, à qual o livro pertence.

A autora justifica o uso do termo que dá nome ao livro e ao primeiro artigo da publicação. "Em fevereiro ou março de 2003, o secretário de relações externas do Ministério da Fazenda do Governo Lula disse que 'a palavra da moda é delivery, como bem afirmou um corretor de Wall Street. A gente está prometendo e está entregando'. Era absolutamente surpreendente não apenas a direção da política econômica, mas o fato de uma pessoa com aquela função dizer isso. A expressão, para mim, resumia bem o que estava acontecendo".

Para a professora, "a continuidade e aprofundamento da política econômica (do governo FHC) representou uma submissão das necessidades do país aos imperativos do mercado financeiro, da valorização financeira".

Leda destaca, além do artigo inicial, outros duas obras contidas no livro. O quinto artigo, Investimentos e servidão financeira no Brasil do último quarto de século, foi feito em conjunto com o professor do Departamento de Economia da PUC-SP Christy Pato e se constitui em uma "análise de escopo histórico mais extenso".

O sexto e último artigo de Brasil Delivery aborda "a discussão do que é o neoliberalismo, as suas origens, como começa a ser implementado e quais as transformações que estão acontecendo no capitalismo mundial e acabam por produzir na periferia do sistema, incluindo o Brasil, esse tipo de fenômeno, a submissão completa e de todos os matizes lógicos a um determinado tipo de política e de visão de economia".

O posfácio, escrito no fim de 2007, tem como tema a desmistificação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal. "De fato, o PAC traz alguns bilhões a mais de recursos para incentivar investimentos, mas isso, de modo nenhum, é uma alteração no sentido geral da política, porque não se trata de um projeto de efetivo desenvolvimento para o país, mas simplesmente a agregação de alguns projetos existentes e de alguns poucos recursos a mais que o governo promete gastar em alguns setores nos quais se apresentam gargalos, como energia elétrica e telecomunicações", explica Leda.

Ainda sobre o PAC, a economista critica o programa a partir de uma perspectiva histórica: "Isso é mais marketing que projeto, tanto que não há termos de comparação do PAC com o governo Vargas, em especial entre 1951 e 1954, ou com os projetos do governo Ernesto Geisel (1974-78), o II Plano Nacional de Desenvolvimento (PND)".

Data do Conteúdo: 
segunda-feira, 7 Julho, 2008

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