Abordagem experimental inaugura semestre de seminários sobre o Estado da Arte em Economia

por Luigi Parrini

A série de seminários Estado da Arte em Economia foi reiniciada nesse semestre com o tema A Economia Experimental e a Análise Econômica na última quinta-feira (7). A combinação de conhecimentos de economia e psicologia em uma situação de laboratório para observar reações a estímulos econômicos foi o centro da discussão.

Organizada pelo ex-ministro da Fazenda e do Planejamento Antonio Delfim Netto, professor emérito da FEA-USP, a palestra contou com a exposição de Roberta Muramatsu, do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) e Universidade Presbiteriana Mackenzie, e Jolanda Battisti, da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP).

Roberta iniciou o seminário e destacou sua vivência com experimentos que mesclam conhecimentos da psicologia às ciências econômicas. Para ela, esses experimentos interdisciplinares são importantes no sentido de "contribuir para o entendimento de processos e desenvolvimento de instituições", mas admite que ainda são raros.

A professora apontou dois fatores cruciais para o funcionamento dos experimentos: o controle, embora não seja possível tê-lo plenamente, e a aplicabilidade. Além disso, mostrou o conjunto de regras e mensagens para interação e coordenação de expectativas e preferências como componentes da formulação de teorias em economia experimental.

A segunda palestrante, Jolanda Battisti, da FGV, diferenciou a economia experimental da tradicional ao afirmar que a modalidade experimental, ao contrário da outra, "não coleta dados de mercados 'naturais'", já que o uso desses dados gera problemas, pois contêm muitos fatores que podem causar ruídos, não desejados nesse ramo das ciências econômicas.

Jolanda numerou os objetivos da economia experimental, que são testar ou selecionar teoria, fazer testes de estresse, buscar regularidades empíricas e fazer recomendações de políticas econômicas. A pesquisadora diferenciou o trabalho econômico experimental daquele feito pelos psicólogos: economia experimental lida com instituições e incentivos, os quais precisam ser fundados na realidade, diferentemente dos experimentos psicológicos.
O destaque ficou para a ênfase ao uso do método experimental nas salas de aula, fazendo testes e jogos, úteis para ilustrar conceitos econômicos. Jolanda realizou um teste ali mesmo, com os ouvintes da palestra, envolvendo compra, venda e lucros. Foi um procedimento simples, que utilizou cartas de baralho, papel e caneta. 

Por fim, descreveu o passo-a-passo de um experimento: formular questão de pesquisa; escolher o design para responder à questão; executar experimento piloto, para verificar falhas; melhorar o design; recrutar cobaias; executar o experimento final; analisar os dados e escrever. O segredo dos profissionais da área, que já resultou em três prêmios Nobel, é "ser discreto, não revelar do que se trata o experimento, para que a cobaia não acabe dizendo o que você quer ouvir de propósito".

Data do Conteúdo: 
terça-feira, 12 Agosto, 2008

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