Doutorado - Dinâmicas de preços no Brasil de 1989 a 2007

Tipo de evento: 
Defesa
Data e hora: 
22/02/2019 - 14:00 até 17:00

 

Julia Passabom Araujo

Doutorado - Dinâmicas de preços no Brasil de 1989 a 2007

Orientador: Prof. Dr. Mauro Rodrigues Junior

Comissão: Profs. Drs. Marco Antônio Cesar Bonomo, Bernardo de Vasconcellos Guimarães e Márcio Issao Nakane

Local: Sala 217, FEA-5

Resumo*

Esta tese de doutorado documenta comportamentos de fixação de preços no Brasil através de uma base de dados única de cotações ao nível da loja coletadas pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) para a construção do Índice de Preços ao Consumidor  (IPC-FIPE) de 1989 a 2007. Minha base de dados é extensa em tempo (222 meses), variabilidade da inflação (de hiperinflação à deflação mensal) e cesta de bens e serviços (quase 11 milhões de cotações sobre 8.294 marcas). O primeiro capítulo documenta novas evidências sobre a frequência e o tamanho absoluto das mudanças de preços durante o período da amostra. Eu encontro diferenças marcantes entre os períodos de hiperinflação (1989-1993) e baixa inflação (1995-2007). Durante a hiperinflação, a frequência e a magnitude dos movimentos de preços são notavelmente maiores. Após o Plano Real, ambas as estatísticas imediatamente mudam para um nível significativamente mais baixo e estável, seguindo o movimento da inflação. Aumentos de preços são mais frequentes durante a hiperinflação, embora uma pequena parcela de preços (principalmente de alimentos) ainda se reduza a cada mês. Sob inflação baixa, reduções de preços são quase tão prováveis quanto aumentos de preços. Eu também documento heterogeneidades presentes em diferentes classificações de produtos. O segundo capítulo investiga a relação entre inflação e variabilidade de preços relativos (VPR). A VPR intra-mercado aumenta significativamente com a taxa de inflação, mas eu encontro diferenças marcantes entre os dois cenários inflacionários. Durante a hiperinflação, a relação é aproximadamente 70\% menor do que a estimada sob inflação mais baixa. Níveis mais altos de inflação estão associados à maior variabilidade desta, mas a ligação é um pouco mais fraca durante o período de hiperinflação. O impacto de uma deflação (em termos absolutos) é menor do que o impacto de um aumento de preço durante a hiperinflação, porém mais forte durante níveis mais baixos de inflação. Finalmente, o terceiro capítulo documenta a importância do  Plano Real sobre os custos de busca (search costs}) dos consumidores. Eu estimo um modelo de busca não sequencial por bens homogêneos para recuperar estruturalmente os custos de busca dos consumidores utilizando dados de preços sobre 15 marcas diferentes de bens e serviços. A estratégia empírica consiste em usar o Plano Real como um ponto de quebra estrutural nos dados. Eu estimo o modelo dividindo os dados entre antes (de janeiro de 1993 a junho de 1994) e depois (de agosto de 1994 a dezembro de 1995) do plano e encontro evidências de dominância estocástica de primeira ordem da distribuição do custo de busca do primeiro sobre o segundo período, ou seja, os custos de busca são maiores durante a hiperinflação. Eu também encontro evidências do efeito do plano na redução da margem de preço (markup) das empresas. Quando buscar preços é menos custoso, firmas perdem poder de mercado.

*Resumo fornecido pelo autor

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