Futuro sustentável exige uma ação dos governos e do mercado

Apesar das emissões de dióxido de carbono (CO2) não terem sofrido aumento nos últimos três anos, a emissão do ano passado de 36,3 gigatoneladas de CO2 continua preocupando cientistas e pesquisadores em relação ao futuro. Em razão do mercado, as indústrias continuam queimando combustíveis fósseis para produzir cimento, aço e ferro, por exemplo, emitindo juntos mais de 400 milhões de toneladas de CO2 por ano. As consequências são várias, entre elas, as alterações climáticas. Por isso, mudanças são necessárias e cada vez mais se investe em tecnologias e pesquisas envolvendo as energias renováveis. Tais assuntos foram abordados no seminário internacional “Climate change and renewable energies: mega trends and the role of Brazil”, que aconteceu no dia 19 de abril na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, apresentado pelo professor Andrius Tamošiūnas, da Faculty of Business Management Vilnius Gediminas Technical University, da Lituânia. O seminário foi organizado pelo ProAsia – Programa de Estudos Asiáticos,coordenado pelo professor Gilmar Masiero, da FEA.

A preocupação com o clima não é recente. Diversos acordos entre países foram feitos e continuam acontecendo no presente. O último foi o Acordo de Paris, de 2015, firmado por 196 signatários, que estabeleceu o objetivo de manter o aumento da temperatura abaixo de 1,5ºC até 2100, além de cobrar progressos dos países envolvidos, no sentido de cumprir os seus compromissos climáticos e apresentar novos planos para fortalecê-los.

Segundo Prof. Andrius Tamošiūnas, na União Europeia 87% das emissões de CO2 correspondem à combustão de combustíveis fósseis.  E, apesar de algumas mudanças, há uma resistência em diminuir tais emissões, pois os países, preocupados com a situação econômica, preservam as indústrias tradicionais baseadas em combustíveis fósseis ao invés de investir em soluções de energia renovável.

Entre as energias renováveis, destaca-se o papel da geração de energia solar fotovoltaica, a mais abundante e que é capaz de fornecer calor, resfriamento, eletricidade, iluminação e combustível para vários dispositivos. Na UE, a capacidade total instalada dos sistemas fotovoltaicos é de cerca de 10% da capacidade total de produção elétrica. A energia proveniente da água, com as hidrelétricas, é a forma renovável mais amplamente utilizada, mas na União Europeia não há possibilidade de expansão, pois a maioria dos locais favoráveis já foram explorados. No setor de transporte, destacam-se os biocombustíveis, que são produzidos, na UE, a partir do trigo e da beterraba. O grande problema deste último é a disponibilidade de matéria-prima, que pode prejudicar a produção de alimentos.

A situação brasileira

No Brasil, pela abundância de rios em sua formação geográfica, 60% da eletricidade provém da energia hidrelétrica, que corresponde a 80% da energia gerada pelas fontes renováveis. Entretanto, faltam investimentos em outros tipos de energia sustentável, como a energia solar, eólica, de biomassa e geotérmica. O biocombustível proveniente da cana, o etanol, é bastante desenvolvido e utilizado, mas apresenta o mesmo problema da disponibilidade de matéria-prima, já que uma parte da terra destinada à plantação precisa se voltar à produção de cana-de-açúcar e não de outros alimentos. Apesar de um grande uso de fontes renováveis, o Brasil enfrenta o problema do desmatamento, que vem crescendo desde 2009 e agrava a situação climática. Uma ação mais incisiva do governo em relação às leis ambientais e estímulo às pequenas e médias empresas podem gerar um crescimento socioeconômico equilibrado, acesso a tecnologias para uma produtividade e competitividade mais sustentáveis.

Dessa forma, o caminho para o avanço das energias renováveis é o investimento tecnológico e comprometimento da governança pública. Para Tamošiūnas, é inevitável que isso atinja o mercado, mas é uma mudança necessária, pois se trata do futuro de todo o planeta. “Enfrentar as mudanças climáticas exige que consideremos os padrões que usamos para fazer negócios”, conclui.

Data do Conteúdo: 
quinta-feira, 27 Abril, 2017

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