FEAUSP sedia encontro para discutir relações entre América Latina e Coreia do Sul

Por Bruna Arimathea
Fotos: Roberta de Paula

Prof. Won-ho KimPaíses da América Latina e Coreia do Sul estão unindo esforços para aprofundar o conhecimento asiático nos países latinos em encontros estratégicos, buscando fortalecer interesses comuns e ampliar a rede de especialistas nesses estudos. O VIII Encontro de Estudos Coreanos na América Latina se apresenta como um mediador dessa iniciativa e, na edição de 2017, trouxe o tema “América Latina e Coreia do Sul: Interesses e desafios comuns”, com seu primeiro dia de atividades sediado na FEAUSP.

Tratando de assuntos como relações econômicas, comerciais e diplomacia, foram apresentados panoramas sobre diversas vertentes da relação Coreia do Sul-América Latina. A importância do país asiático no cenário americano foi ressaltada, principalmente pela sua atual participação mercantil, mas também pelo potencial político e social que ambas as regiões podem explorar com o estabelecimento de programas e  em parcerias.

O ponto comum de grande parte das palestras foi a necessidade de maior integração entre as regiões. “Somente a Coreia tenta cooperar com a América latina” afirmou o cônsul da República da Coreia, Sr. Yeondong Jeong. Sobre as dificuldades enfrentadas, o cônsul ainda pontua que diversas medidas estão sendo pensadas para diminuir a distância que ultrapassa a barreira geográfica. O apoio ao intercâmbio, a expansão da cooperação nas áreas de educação e tecnologia são recursos a serem melhor aproveitados para concluir o projeto de integração.

Nesse sentido, o Cônsul coreano apresentou ainda estratégias que envolvem dois lados na política de aproximação das regiões, as relações bilaterais e as relações multilaterais. Quanto às relações bilaterais, a economia se torna o centro das interações ao abordar a possível capacidade para um crescimento em conjunto de forma sustentável, visando colaboração com Brasil e México nesse projeto, além do compartilhamento da experiência mútua para desenvolvimento e combate à pobreza, principalmente nos países do Caribe e da América Central. Já no aspecto das relações multilaterais o objetivo é basicamente um: a parceria em um acordo de livre comércio com o MERCOSUL.

Com esse propósito, a Coreia do Sul busca, de forma veemente, selar esse pacto de modo a estreitar as conexões comerciais entre essas duas regiões. O bloco de países, hoje, representa um negócio importante, com 7% da exportação da Coreia do Sul sendo oriunda da América Latina. Além disso, o país asiático já possui acordos comerciais com outras nações, mas ainda não conseguiu estabelecer esse importante vínculo aqui, que interessa não apenas pelo mercado de bens e serviços disponível, mas também pela grande gama de recursos minerais, naturais e agrícolas que a América tem a oferecer, segundo o Professor da Universidade Hankuk da Coreia do Sul, Won-ho Kim.

Se de um lado a Coreia estranha essa falta de ação latino-americana, o próprio continente reconhece a fraca participação nos processos de integração: “A América Latina é o lugar das expectativas mortas” afirmou José Leon Manríquez, professor da Universidad Autónoma Metropolitana-Xochimilco, do México, acerca das dificuldades encontradas, que envolvem uma série de reuniões para decidir os pormenores na elaboração de um acordo, caracterizando um processo que transcorre muito lentamente. Ainda assim, os esforços existem. O professor afirmou que estudos mais pontuais acerca do assunto estão surgindo ao longo dos anos, e que já existe um diálogo exploratório para firmar o tratado.

Para abordar o cenário exclusivamente coreano, foram levantadas situações que a Coreia do Sul enfrenta hoje. O tema do antiamericanismo, como elemento que atrapalha a relação do país com os Estados Unidos, teve destaque, enfocando o choque cultural vivido por ambas as nações e a ideia do valor ocidental “corrompendo” a cultura coreana. Esse fator, que se construiu ao longo da história e se observa cada vez mais presente na cultura asiática, possui efeitos que afetam principalmente as relações diplomáticas entre os países.

Também envolvendo os Estados Unidos, apontou-se a dificuldade da união entre Coreia do Sul e Japão, já que negociações entre esses dois países submetem-se também à influência chinesa, economia forte que busca hegemonia na região, e da Coreia do Norte, pelas questões adversas de governo e ideologia, e pela sua procura por espaço na península. Assim, o crescimento do comércio é lento e não se estabelece um tratado de livre comércio. Com um interesse tecnológico comum o “Japão tem sonhado cada vez mais com os Estados Unidos”, como afirma Rodolfo Molina, da Universidad Nacional de Cordoba, na Argentina, explicitando a exclusão sofrida pela Coreia do Sul em meio a negociações com o mercado japonês.                                                                                         

Com um grande volume de trabalhos acadêmicos que visam justamente explorar a fundo os diversos temas que envolvem a Coreia na América Latina, o Encontro tem se movimentado cada vez mais nas suas edições para aproximar os continentes e tem sido uma iniciativa de muito sucesso. Ao longo dos anos seu objetivo é, cada vez mais, trazer a cena coreana para os estudos americanos, com fins de valorizar o país asiático e expandir os horizontes latinos para além do atlântico. 

Data do Conteúdo: 
quinta-feira, 31 Agosto, 2017

Departamento:

Sugira uma notícia