FEA recebe pesquisadora da Finlândia para discutir sistema de ensino superior

Palestrante Vuokko KohtamakiConhecida por seu sistema educacional de excelência e seus altos índices de desenvolvimento econômico e social, a Finlândia é um país referência quando se fala em educação no mundo. Para discutir o modelo universitário finlandês, a FEAUSP recebeu, no dia 24 de agosto, a pesquisadora Vuokko Kohtamäki, da Universidade de Tampere, no seminário “Reforma do Sistema de Ensino Superior: A experiência da Finlândia”, realizado pelo Núcleo de Política e Gestão Tecnológica, coordenado pelo professor Ary Plonski.

O sistema de educação superior finlandês sofreu uma grande reforma em 2010, quando as Universidades ganharam autonomia em relação ao governo, e passaram a ser entidades independentes e autônomas financeiramente. Durante os anos 80, por exemplo, todas as instituições finlandesas de ensino superior estavam sob um controle financeiro severo por parte do Estado. Hoje as mudanças tiveram resultados significativamente positivos, com uma maior participação da sociedade civil através dos conselhos universitários, além da possibilidade das universidades se organizarem financeiramente de forma independente. Ainda assim, grande parte dos recursos que as Universidades finlandesas destinam ao ensino e à pesquisa ainda são oriundos do incentivo governamental. “O Estado ainda tem a responsabilidade de financiar atividades educacionais”, explicou Vuokko. Outras fontes de renda para a pesquisa universitária incluem doações de empresas privadas, recursos da União Europeia, de governos locais e pessoas físicas.

A pesquisadora também apontou as razões pelas quais a autonomia financeira é importante: “a dependência da aprovação do orçamento das universidades pelo governo muitas vezes é usada por políticos para controlá-las”.

Questionada sobre a razão do sucesso em relação ao seu sistema de educação, Vuokko destacou que o país investe muito mais em educação de base do que no ensino superior, o que garante que todas as crianças tenham ótimos desempenhos escolares e aproveitamento de estudo, o que acarreta em um melhor preparo dos alunos para ingressar na Universidade. “Na Finlândia, 2/3 do dinheiro destinado à educação vai para a educação básica e apenas 1/3 é destinado ao ensino superior”, explicou. Vuokko também destacou outro fator de sucesso no modelo finlandês: a internacionalização: “hoje na Finlândia, existem cursos que são ensinados em inglês e várias oportunidades de mobilidade para alunos e professores”, concluiu.

Matéria: Isabele Dal Maso
Foto: Núcleo PGT

Data do Conteúdo: 
terça-feira, 30 Agosto, 2016

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