FEA realiza evento para discutir sustentabilidade

Economia_circularUm dos temas que mais ganharam relevância nos últimos anos é a sustentabilidade de nosso modelo econômico. Problemas ambientais, desmatamento, aquecimento global são todos consequência de um modelo econômico que não leva em conta o reaproveitamento do lixo produzido no mundo. Pensando em discutir novos modelos de negócios que sejam sustentáveis, a FEAUSP recebeu no dia 26 de agosto, o evento “Economia Circular”, coordenado pela professora Kavita Miadaira Hamza, que faz parte da Virada Sustentável, projeto que promove durante quatro dias mais de 800 atividades gratuitas em toda a cidade em prol da sustentabilidade. O evento contou com a participação de Nico Schiettekatte, conselheiro de inovação do consulado holandês no Brasil, além de Beatriz Luz, fundadora da Exchange4Change Brasil e Ricardo Magalhães, da empresa Interface.

A Holanda é conhecida por ser um dos países que mais investem em inovação e sustentabilidade e está hoje em processo de transição entre uma economia tradicional para uma economia circular, ou seja, de um sistema que não vê valor econômico nos resíduos produzidos pela indústria e o consumo, para um sistema econômico e industrial com base na reutilização de produtos e matérias-primas e a capacidade de restauração dos recursos naturais. Nico destacou o interesse holandês em colaborar com o Brasil, “a palavra chave é desenvolver parcerias em tecnologia e inovação entre Brasil e Holanda”, explicou.

Atualmente, a Holanda recicla 80% de todo seu lixo e está sendo preparado um programa nacional de incentivo à economia circular, “existe certa urgência em mudarmos, porque estamos esgotando nossos recursos naturais e existe hoje no mundo uma pressão ambiental muito forte”, disse Nico. Aqui no Brasil, a Holanda fomenta parcerias com várias empresas que trabalham na área de bioeconomia, além de incentivar a cooperação científica entre os dois países. “Economia circular traz outro modelo de pensamento e negócio. O desenvolvimento sustentável deve ser feito em parceria para resolvermos problemas globais”, concluiu.

Ricardo Magalhães, da Interface, destacou o papel que as empresas têm de fomentar a reutilização do lixo e resíduos, “temos como missão eliminar qualquer impacto negativo ao meio ambiente até o ano de 2020”, explicou. Para isso, a empresa adotou um modelo de negócios baseados na sustentabilidade e todos os seus produtos já utilizam 70% de matéria prima reciclada. Além disso, eles desenvolveram uma técnica que analisa o ciclo de vida do produto para reutilizar alguns de seus elementos, como fibras em novos carpetes.

Beatriz Luz, da plataforma Exchange4change, comentou o contexto econômico atual, “antigamente, o preço das commodities caía com o aumento do uso de tecnologia. Só que a partir dos anos 2000, isso mudou por conta da escassez de recursos, o que aumentou os preços. Por isso, eficiência do processo já não é mais suficiente”. Nesse novo cenário, as cadeias produtivas não podem ser intensivamente dependentes das commodities e um exemplo disso, é o aumento do preço da energia elétrica no Brasil, que foi um fator crítico e prejudicial para o crescimento da indústria brasileira nos últimos anos. “Em uma sociedade conectada como a nossa, temos que lidar com essa nova realidade, com os novos modelos de negócio. Temos que repensar hábitos e rever valores. Economia circular é isso, um novo paradigma de crescimento que vai muito além da reciclagem”, concluiu.

Mais fotos no link: https://www.flickr.com/photos/viresuacidade/sets/72157673101124315/with/...

Matéria: Isabelle Dal Maso
Fotos: Renata Monteiro

Data do Conteúdo: 
terça-feira, 6 Setembro, 2016

Departamento:

Sugira uma notícia