Decision Day ‘17 - Decisão sob incertezas em Startups

Por Bruna Arimathea
Fotos: Nei Grando

AbrahamTomadas de decisão são parte importante da vida de empresários. Como novo modelo de empresa que ganha cada vez mais força no mercado, as startups são resultado da evolução de empreendimentos com uma característica própria: a inovação. E, nesse contexto, decidir pela melhor alternativa pode mudar o futuro do negócio.

Por esse motivo, análise de risco e questões que envolvem o projeto em si significam muito na administração de uma empresa. O Decision Day ’17, evento promovido pelo Núcleo Decide da FEA, coordenado pelo Professor Abraham Yu, abordou o tema “Decisão sob incertezas em Startups” apresentando cases e sua trajetória até o sucesso que vivenciam hoje.

No mundo dos negócios existem diferenças entre os conceitos de risco e incerteza. Risco seria a prévia das consequências de um determinado evento, mapeando o que pode acontecer futuramente. Incerteza se caracteriza em não poder prever o impacto que determinada ação irá gerar. Nesse viés, três autores principais embasam essa diferença e são considerados fundamentais para a gestão empreendedora, como aponta o professor de administração da FEA Leonardo Gomes.

Kenneth E. Knight foi o primeiro autor a separar incerteza de risco, e mostra a importante figura do empreendedor quanto ao processo decisório, considerando essa diferença e aplicando-a ao seu projeto. Com Scott Shane, professor da Case Western Reserve University, surge a visão do campo de pesquisa aliado à atividade, colocando o profissional como alguém que estabelece uma nova organização para explorar uma oportunidade de negócio. O tema da realização prática, muito difundido no ideal de startups, foi endossado por Sara Sarasvathy, professora da Darden Graduate School of Business da Universidade da Virgínia, que em seu trabalho orienta que, em um caminho de incertezas, a melhor opção pode ser visar apenas minimizar as eventuais perdas, focando na ação e encarando as possibilidades como algo positivo e passível de aprendizado. 

Por efeito dessas contribuições, o número de estudos sobre empreendimentos e, mais recentemente sobre o formato próprio de startups, aumentou e permitiu que a premissa do novo negócio fosse divulgada. Isso tornou possível o crescimento desse modelo e sua popularização não apenas entre os mais experientes, mas também entre jovens, muitas vezes ainda universitários, que possuem boas ideias e agora podem tirá-las do papel pela possibilidade de concretizar o projeto.

Em comum nas startups apresentadas no encontro, e na maioria das ativas no mercado, está exatamente a temática abordada: a decisão. Empreender requer tempo, persistência e, muitas vezes, o abandono de uma carreira prévia, como conta Carlos Mira, Fundador da Truckpad, aplicativo que conecta caminhoneiros autônomos às cargas mais próximas do seu local de trabalho. Mira era diretor de uma empresa da família, mas preferiu arriscar em um projeto novo quando viu que a oportunidade de êxito era grande.

Grupo PalestrantesMas a decisão não termina na hora de escolher começar o negócio. Os erros e acertos fazem parte do desenvolvimento do negócio à medida que se conhece o mercado e sua demanda pelo produto oferecido. A manutenção do serviço e o crescimento da empresa dependem também, das decisões tomadas em cada novo passo que se dá para aumentar o tamanho da startup. Novos ramos ou novas necessidades podem aparecer pelo caminho, e é preciso sabedoria para entender como aproveitar as melhores oportunidades. Isso inclui investir ou deixar o negócio, para buscar outras formas de empreender. Bruno Rondani, fundador e CEO da 100 Open Startups, trabalhou em mais de 5 projetos diferentes, antes de sua empresa atual, e é um exemplo bastante claro sobre como a articulação no meio das inovações pode trazer melhores resultados.A expressão “pivotar” ou “pivotear” surge para sintetizar esse aspecto: mudar, mas sem abandonar o conhecimento preexistente. E é exatamente esse o seu significado. Uma experiência prévia de negócio traz um grande conteúdo de aprendizado para pensar e elaborar projetos em novas formas de empresas. Renato Pereira, co-fundador da EduK e da Menu Trip, também passou por outras startups até obter sucesso nas que administra hoje. Ele acredita que o aprendizado, ao longo da vida empreendedora, é marcado por erros e acertos, e que planejar e executar são duas etapas diferentes, mas que a intersecção das duas é fundamental.

O importante, em um novo negócio, é sempre pensar a frente de seu tempo, mas saber planejar e estar pronto para trabalhar na nova empresa. André Bain, criador da Flowsense, afirma “É necessário sempre se focar, buscar novas alternativas. Entender as tendências de mercado, para entender como vai ser o seu futuro, como estão os seus concorrentes, quais são os próximos passos”. A ideia certa unida ao tempo certo é resultado da visão de um bom empreendedor, e saber decidir mesmo em um ambiente de incertezas, é a chave do sucesso que coloca o modelo de startup cada vez mais em destaque no mercado.

Data do Conteúdo: 
terça-feira, 22 Agosto, 2017

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