Compliance é chave para manter setor financeiro saudável

Por Bruno Carbinatto

O compliance é uma prática que ganha cada vez mais destaque no mundo corporativo. Trata-se de uma série de medidas e práticas que visam adequar os negócios de uma instituição às normas legais e jurídicas, evitando assim desvios éticos e irregularidades. Além das empresas, o compliance também é essencial no mercado financeiro, como aponta Roberto Teixeira da Costa (foto), economista e fundador da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Ele esteve presente em palestra na FEAUSP,  no ciclo de apresentações Corporate Compliance & Ethics Seminars, extensão da disciplina de pós-graduação da FEA sobre compliance, do professor Gilmar Masiero.

Roberto Teixeira da Costa têm 60 anos de atuação no mercado financeiro e foi fundador da CVM, autarquia com função de regular e fiscalizar os integrantes do mercado. Para ele, a governança corporativa e o compliance, mesmo que sem esse nome, começaram a ser mais discutidos após a crise do mercado de 1981, que também resultou na fundação da Comissão. “O nosso objetivo não era ser xerife do mercado, e sim reformá-lo, através do caráter educativo”, comenta. Para ele, as instituições reguladoras no Brasil surgem com o objetivo de educar o mercado mais do que puní-lo, já que, anteriormente, a diretoria do mercado de capitais não estava estruturada para regulá-lo.

Nesse sentido, o economista reitera a importância do compliance e seu caráter educativo. Ele cita, por exemplo, a importância de informar bem os juízes sobre as questões do mercado financeiro, para garantir um julgamento justo nesses casos. Outro ponto importante é a figura do auditor interno, que é tão relevante quanto o auditor externo, mas que muitas vezes acaba passando despercebido. Essas medidas são exemplos de práticas que combatem corrupção, que também já foi tema do ciclo de seminários.

Por fim, Roberto Teixeira lembra que a ética é essencial e “nivela o jogo do mercado”. Para ele, o compliance é a chave de manter o setor financeiro saudável, já que “o Brasil não peca por falta de legislação, e sim por falta da execução delas”.

Data do Conteúdo: 
terça-feira, 11 Setembro, 2018

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